Erro do YouTube mistura informação do 11 de Setembro com vídeos de Notre-Dame

Vídeos vinham acompanhados de explicações sobre os atentados do 11 de Setembro. A falha dos algoritmos ajudou a alimentar boatos sobre a origem do incêndio.

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Ferramenta na origem do erro associa informação de contexto a informação noticiosa

Um erro no YouTube fez com que vídeos do incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, transmitidos em directo na plataforma, viessem acompanhados de informação sobre os atentados do 11 de Setembro em Nova Iorque.

Por baixo de imagens publicadas no site por estações de televisão como a France24 e a CBS, vinham explicações sobre os atentados de 2001. A associação veio alimentar boatos, no Twitter, de que o incêndio tinha sido desencadeado por acção terrorista, quando, na realidade, não há qualquer indicação que o incêndio de Paris tenha sido resultado de acção criminal.

Desconhece-se a causa exacta das chamas, mas há suspeitas de que tenham surgido devido à queda de um andaime nas obras de reconstrução da catedral. Esta terça-feira, o procurador de Paris, Rémy Heitz, deu uma conferência de imprensa em que nota que “nada vai no sentido de um acto voluntário”.

O erro do YouTube, que já foi rectificado, deveu-se a uma ferramenta criada em 2018 para combater a desinformação online, ao fornecer contexto em vídeos sobre temas noticiosos. É muito usada em vídeos que podem propagar informação errada ou de má qualidade (por exemplo, sobre os efeitos secundários de algumas vacinas).

A empresa explica que os painéis de informação – que utilizam informação de fontes como a Enciclopédia Britânica e a Wikipédia – são accionados automaticamente. “Estes painéis são activados por algoritmos. Por vezes, os nossos sistemas fazem a decisão errada”, explicou o YouTube, em resposta a questões do PÚBLICO. “Estamos a desactivar estes painéis para os livestreams associados ao incêndio”.

O YouTube pediu desculpas pelo erro. “Estamos profundamente entristecidos com o incêndio na Catedral de Notre-Dame”, afirmou a empresa.

Recorrer a algoritmos – para filtrar conteúdo impróprio e combater a desinformação – é uma estratégia partilhada por várias gigantes tecnológicas. Tal como o YouTube, o Facebook está também a desenvolver uma funcionalidade – acessível através de um botão que é um “i” – que permite aos utilizadores receberem mais contexto sobre uma notícia, sem terem de sair da rede social. Além de usar a tecnologia para oferecer mais contexto, o YouTube tem mecanismos de filtração automáticos para evitar a difusão de conteúdo pirateado, a incitar à violência ou pornográfico na plataforma. 

Os algoritmos do YouTube são frequentemente activados em vídeos sobre a tragédia do 11 de Setembro, que é alvo de vários vídeos sobre teorias da conspiração. Neste caso, o sistema automático detectou semelhanças entre as imagens da catedral em chamas e as das Torres Gémeas a cair. O fogo na catedral começou ao final da tarde e, pela meia-noite, com o fogo ainda activo, já tinha ruído o telhado e a agulha da catedral.