Combustíveis: PSD no Parlamento atira-se a Costa, Rio defende posição do Governo

Vice-presidente da bancada parlamentar do PSD defende que a regulação das carreiras dos motoristas é da competência exclusiva do Governo ao mesmo tempo que o presidente do PSD diz que o assunto é entre patrões e camionistas.

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PAULO PIMENTA

Com uma diferença de poucos minutos, o PSD apareceu em público com posições diametralmente opostas sobre a actuação do Governo no caso da greve dos motoristas de combustíveis. No Parlamento, um vice-presidente da bancada social-democrata criticou duramente o Governo, enquanto em Coimbra, o presidente do partido, Rui Rio, defendia a posição do Executivo, elogiando a requisição civil e desculpabilizando-o pelos problemas causados por um desentendimento entre motoristas e patrões.

“O PSD está extremamente preocupado com esta situação da greve dos motoristas. É evidente que a circunstância de termos um Governo que gosta de tudo prometer e a todos prometer causa estas situações quando se torna visível que se é impossível dar tudo a todos. Cria um sentimento de desilusão por parte dos diferentes grupos profissionais”, disse no Parlamento o vice-presidente da bancada do PSD. Emídio Guerreiro descreveu o cenário de postos de combustível fechados, aviões desviados e uma “falta de sensibilidade” do Executivo para com a situação das famílias que querem ir de férias.

“Seria muito importante que o Governo desse um passo à frente”, apontou o deputado do PSD, criticando as “situações de requisição civil feitas em cima do joelho que apenas garantem respostas no Grande Porto e Lisboa e esquecem o resto do país”. 

Instou o Governo a “sentar-se rapidamente e, em diálogo, resolva este problema”. Dramatizou: “Os portugueses não podem continuar a padecer com as incompetências do Governo”. E insistiu: “sente-se já e faça as coisas que tem a fazer”, sem concretizar quais.

Questionado pelo PÚBLICO sobre quem tem competência para resolver o problema, Emídio Guerreiro insistiu que “é ao Governo que compete em primeira instância resolver porque é regulamentação da carreira profissional (...) Há matérias que são da exclusiva competência do Governo, negociar carreiras não é com o Parlamento”.

Rio concorda com a requisição civil

Questionado pelos jornalistas sobre a greve e a falta de combustível, Rui Rio disse que, “sendo uma greve que traz prejuízo” aos serviços públicos, está “de acordo com a requisição civil para aquilo que é vital, como os serviços de saúde e de segurança”.

O presidente do PSD disse que essa requisição civil é “fulcral para que não morram pessoas por falta de socorro médico” relacionada com a ausência de combustível dos veículos de emergência, “nem seja comprometida a segurança nacional” por falta de viaturas das forças de segurança. “Tanto quanto eu percebo, [esse passo da requisição para assegurar serviços fundamentais] está a ser feito”, vincou Rui Rio.

O presidente do PSD deu então um passo em frente para defender o Governo, dizendo que este não tem mais responsabilidades no assunto. Rio realçou que este caso está “no domínio do privado” e disse contar com o “bom senso” do sector dos transportes de combustíveis e das duas partes dos interesses que estão aqui em conflito, ou seja, os motoristas e os patrões.

“Isto é uma polémica, um braço-de-ferro entre os camionistas e a sua entidade patronal, e as coisas foram-se agravando”, disse o presidente do PSD, vincando: “Eu não vou atacar o Governo naquilo em que não tem responsabilidade senão eu não estava a ser sério.” Rui Rio disse que o papel do Executivo é de mero diplomata. “Esperamos que o Governo tenha essa capacidade de intermediação” e ajude os empregados e os patrões a “conseguirem chegar a um acordo”.

“O que cabe ao poder público fazer é interferir diplomaticamente, mas [a solução] que não depende do sector público”, argumentou ainda o presidente do PSD.