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Aeroportos de Lisboa e Faro sem combustível. Aviões poderão ficar em terra

Aeroportos de Lisboa e Faro com abastecimento de combustível interrompido. Greve foi convocado por Sindicato de Motorista de Matérias Perigosas.

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paulo pimenta

O Aeroporto de Lisboa interrompeu o abastecimento de combustível na manhã de terça-feira, sendo que os serviços operacionais e voos poderão estar em causa. No Aeroporto de Faro, o abastecimento de combustível está suspenso desde a noite de segunda-feira. 

Ao PÚBLICO, a ANA – Aeroportos de Portugal confirmou que no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, se prevê a “interrupção de abastecimento de combustível pelas empresas petrolíferas a partir das 12h desta terça-feira.

“Não tendo sido assegurados os serviços mínimos, e em função do tempo necessário para a requisição civil ter efeitos práticos, os nossos aeroportos podem ter disrupções de serviço ao nível operacional”, nota a empresa que gere os aeroportos nacionais.

No Aeroporto de Faro, já foram atingidas as reservas de emergência desde a noite de segunda-feira, estando suspenso desde então o fornecimento de combustível.

Os passageiros com voos nos aeroportos de Lisboa e Faro devem informar-se junto das companhias aéreas. Em comunicado, a ANA diz ser totalmente alheia à situação, lamentando o transtorno causado aos passageiros e esperando que tudo se resolva com a máxima urgência pelas autoridades competentes.

Em declarações à agência Lusa, Francisco São Bento, do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) disse que o Governo reconheceu a necessidade de usar a figura da requisição civil, mas esta ainda não tem aplicação prática, pelo que a greve se mantém com uma adesão a 100%.

O sindicalista falava depois de o Governo ter aprovado uma resolução do Conselho de Ministros que reconhece a necessidade de requisição civil no caso da greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou na segunda-feira.

Segundo um comunicado da presidência do Conselho de Ministros, “a greve em curso afecta o abastecimento de combustíveis aos aeroportos, bombeiros e portos, bem como o abastecimento de combustíveis às empresas de transportes públicos e aos postos de abastecimento da Grande Lisboa e do Grande Porto”.

A presidência do Conselho de Ministros acrescenta que esta decisão foi tomada “depois de se ter constatado que no dia 15 de Abril não foram assegurados os serviços mínimos” fixados pelos ministros do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética.

Contactado pela Lusa, Francisco São Bento diz que os serviços mínimos estão sobredimensionados e que, em greve, “nunca seria possível cumprir”.

“Ao declararem serviços mínimos destas dimensões pedem que os trabalhadores funcionem em greve como num dia normal de trabalho [...]. Uma vez que a consequência de uma greve é ter algum impacto para chamar a atenção de quem se pretende chamar à mesa das negociações, isto é a mesma coisa que os trabalhadores não poderem exercer o seu direito à greve”, afirmou.

O representante disse ainda que a previsão do sindicato é que ao início da tarde de terça-feira os aeroportos de Lisboa e Faro fiquem sem combustível.

Ao início da manhã, segundo o SNMMP, cerca de 40% a 50% dos postos de abastecimento já estavam sem combustível.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00h de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, tendo sido impugnados os serviços mínimos definidos pelo Governo.