Notre-Dame: três das famílias mais ricas do mundo doam 500 milhões de euros para reconstrução

O montante total das doações é, no entanto, um pouco mais elevado e supera os 600 milhões de euros: também a empresa petrolífera francesa Total anunciou que iria disponibilizar 100 milhões de euros para a recuperação da Catedral.

Cathédrale Notre-Dame de Paris
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Reuters/GONZALO FUENTES

As famílias Bettencourt-Meyers, Bernard Arnault e François-Henri Pinault, três das mais ricas de França e do mundo, já anunciaram doações que ascendem aos 500 milhões de euros para a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, danificada por um incêndio que deflagrou durante a tarde de segunda-feira e madrugada de terça-feira.

O montante total das doações é, no entanto, um pouco mais elevado e supera os 600 milhões de euros. A empresa petrolífera francesa Total anunciou que iria disponibilizar 100 milhões de euros para a recuperação de Notre-Dame. Um “donativo especial”, como descreveu Patrick Pouyanné, o presidente e director executivo da empresa.

A família herdeira do império L’Oréal, Betterncourt-Meyers, anunciou nesta terça-feira que vai doar um total de 200 milhões de euros para a recuperação da Catedral parisiense. Do total doado, 100 milhões de euros virão da Fundação Bettencourt Schueller – uma instituição dedicada ao mecenato na área das ciências da vida, cultura e solidariedade.

Também Bernard Arnault, um dos homens mais ricos de França e dono do grupo LVMH (detentor da marca de luxo Louis Vuitton e Dior) e a sua família ofereceram 200 milhões de euros para a reconstrução. 

Num comunicado, o bilionário e a sua família afirmavam-se "solidários com esta tragédia nacional” e dispostos a ajudar “na reconstrução desta Catedral extraordinária, um símbolo de França, da sua herança e da sua unidade”, cita a agência norte-americana Associated Press.

François-Henri Pinault, director executivo do grupo Artémis (detentor da Kering, conglomerado de marcas de luxo como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga, entre outras), e o pai, François Pinault, mecenas francês, tornaram conhecida a sua doação de 100 milhões de euros na madrugada de terça-feira.

Num comunicado, assinado por François-Henri Pinault,​ lê-se que “esta tragédia tem impacto em todos os franceses” e que “toda a gente quer repor a vida desta jóia da nossa herança o mais depressa possível”.

Recolha de fundos está a decorrer. Seguradora vai oferecer carvalhos

Aos donativos das três famílias mais ricas – que, combinados, somam 600 milhões de euros – juntam-se outros de menor monta. É o caso das doações de Martin e Olivier Bouygues, herdeiros do grupo industrial com o mesmo apelido, que ofereceram dez milhões de euros através da holding SCDM. A oferta foi feita “a título pessoal” pelos dois irmãos que se dizem “muito tocados” pelo sucedido, cita o jornal francês Le Monde.

O primeiro (grande) donativo vindo do estrangeiro chegou pela mão de Henry Kravis, co-fundador do fundo de investimento KKR, e da mulher Marie-Josée Kravis: são 10 milhões de dólares (ou 8,85 milhões de euros).

A região de Île-de-France, à qual pertence a capital francesa, também já anunciou que vai desbloquear dez milhões de euros para “ajudar a arquidiocese nos primeiros trabalhos” de reconstrução, anunciou nesta terça-feira Valérie Pécresse, presidente da região. “Esta reconstrução, que obviamente vai ser muito cara, vai mobilizar todo um país, os melhores arquitectos, os melhores artesãos de França, talvez do mundo; vamos começá-la já.” 

Poucas horas depois do acidente, a população francesa mobilizou-se para recolher fundos para a reconstrução da Catedral parisiense.

Também o presidente da Liga Francesa de Futebol (LFF), Nathalie Boy, disse nesta terça-feira que o futebol gaulês vai mobilizar-se para ajudar financeiramente na reconstrução da catedral de Notre-Dame, mas não avançou nenhum montante.

Mas nem todas as doações são em dinheiro. A seguradora Groupama anunciou que vai oferecer 1300 carvalhos, vindos das suas florestas na Normandia para a reconstrução da estrutura que sustentava o telhado da Catedral, respeitando, assim “o trabalho dos companheiros da época”, lê-se num comunicado.

UNESCO vai ajudar na reconstrução

Notre-Dame de Paris é Património Mundial da UNESCO desde 1991. A instituição das Nações Unidas também já se mostrou disponível para apoiar as obras de reconstrução da Catedral, mas não se sabe ainda se esta ajuda vai ser monetária ou não. Num primeiro momento, a UNESCO vai realizar uma avaliação aos danos e trabalhar ao lado das autoridades nacionais e locais para evitar o aumento da deterioração do local.

“Estamos todos de coração partido”, disse Audrey Azoulay, directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, citada pela agência Lusa. “Notre-Dame representa uma herança universal histórica, arquitectónica e espiritualmente notável. É também um monumento do património literário, um lugar que é único no nosso imaginário colectivo. Património dos franceses, mas também da humanidade como um todo. Este drama lembra-nos do poder da herança que nos liga uns aos outros.”

O incêndio que devastou o pináculo, a maior parte do telhado e dois panos (secções de abóbadas) do símbolo gótico do país deflagrou durante mais de 15 horas, até ser dado como extinto.

A estrutura e as duas torres da catedral salvaram-se, assim como uma parte do património artístico e cultural da Notre-Dame – nomeadamente a coroa de espinhos, a túnica de S. Luís e as 16 estátuas que circundavam o pináculo. Ainda não se conhece o estado das rosáceas e do órgão.