PS quer ganhar as europeias. E não por “poucochinho”

Pedro Marques pediu um “voto de confiança” no PS e criticou Rui Rio por defender um banho de ética na política mas apresentar Paulo Rangel como candidato sem olhar às suas faltas ao Parlamento e à acumulação com a actividade de advogado.

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Há cinco anos o PS de António José Seguro, ganhou as eleições europeias com 31,4%. Três dias depois, Costa anunciou a disponibilidade para ser secretário-geral do partido. Nuno Ferreira Santos

O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Pedro Marques, assumiu nesta segunda-feira que o objectivo do seu partido é “ganhar as eleições” e “de forma clara”. “A nossa fasquia é ganhar as eleições; ganhar de forma clara; ganhar as eleições e, pela segunda vez na história do Partido Socialista no período democrático, ganhar as eleições europeias estando no Governo”.

Nas últimas eleições europeias, António Costa, então presidente da Câmara de Lisboa, colocou pressão sobre o então secretário-geral socialista António José Segura avisando: “Não basta ganhar por poucochinho”. 

Há cinco anos o PS de António José Seguro, ganhou as eleições europeias com 31,4%. Três dias depois, Costa anunciou a disponibilidade para ser secretário-geral do partido.

Esta segunda-feira falando à comunicação social depois de entregar a lista às eleições de 26 de Maio no Tribunal Constitucional, em Lisboa, o candidato Pedro Marques recordou que “Mário Soares conseguiu” e vincou que os candidatos deste ano vão “lutar muito para dar ao Partido Socialista também uma grande vitória nestas eleições europeias”. 

“Aqui estamos, com força renovada, para fazer na Europa aquilo que fizemos bem em Portugal"

O candidato Pedro Marques defendeu ainda esta segunda-feira que a lista socialista é composta por uma “equipa renovada, uma equipa com muitas mulheres, uma lista paritária, com gente jovem; uma lista com abertura à sociedade civil”.

“Aqui estamos, com força renovada, para fazer na Europa aquilo que fizemos bem em Portugal”, vincou, notando que os candidatos estão “empenhados”, são “gente que faz” e que “vai defender Portugal na Europa”. “É com esse compromisso que nos apresentamos a estas eleições”, declarou.

Pedro Marques apontou também que “os portugueses têm todas as razões” para dar “um voto de confiança” ao PS nestas eleições. Apontando que “este é certamente um ano eleitoral decisivo”, o socialista defendeu que o seu partido “merece confiança” também nas eleições legislativas.

Considerando que o processo eleitoral tem “algumas curiosidades”, Pedro Marques deixou uma pergunta a Rui Rio. “Como é que ele compatibiliza o banho de ética que diz ter trazido para a política, com a repetição de um candidato às eleições que fez muito pouco por Portugal no Parlamento Europeu, faltou muito no Parlamento Europeu” e, “ao mesmo tempo trabalhou tanto como advogado no sector privado”, quis saber o candidato socialista.

Na óptica do socialista, “alguém que escolhe repetir um cabeça de lista, ainda por cima um cabeça de lista derrotado”, tem de “prestar contas sobre o trabalho que fez”. “Da mesma maneira que o nosso trabalho é avaliado e nós, talvez pela primeira vez desde que há eleições europeias, não nos importamos nada que avaliem o trabalho do Governo neste contexto”, assinalou.

Questionado sobre as críticas de que tem sido alvo por parte da direita, o antigo governante referiu que, “em processos eleitorais”, é “completamente legítimo que se avalie o trabalho de uns e dos outros, as candidaturas de uns e dos outros”. “Foram usadas muitas falsidades para tentar denegrir o meu trabalho enquanto membro do Governo, elas já foram por nós demonstradas. O PSD já parou de dizer coisas como dizia relativamente à execução dos fundos comunitários, porque nós já denunciámos essas falsidades e já demonstrámos essas falsidades”, advogou o candidato.

Pedro Marques defendeu também que “os portugueses devem avaliar quem faz campanha com base em falsidades, mas devem de facto avaliar o trabalho daqueles que estiveram no Parlamento Europeu e não fizeram nada relevante por Portugal”.

Também presente na ocasião, a secretária-geral-adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, considerou que “a desvalorização” das instituições europeias é “um problema” e pediu aos eleitores uma “forte participação” nas eleições de 26 de Maio. “Também na Europa, como em Portugal, é possível um caminho alternativo”, salientou.

Questionada se os casos de familiares no Governo podem afectar o resultado do PS, Ana Catarina Mendes desvalorizou o assunto e considerou que “para as famílias portuguesas o que verdadeiramente interessa é se têm mais emprego, se as pensões aumentam, se aumentaram os rendimentos disponíveis, se o passe único é ou não uma melhoria para as suas vidas”.

“É nisso que o Partido Socialista está empenhado, [e não] numa agenda política de casos de quem não tem agenda política”, rematou.