Porque anda o pastel de nata nas bocas do mundo?, pergunta a Bloomberg

A agência norte-americana elogia a especialidade portuguesa e antecipa que se possa tornar “tão omnipresente quanto o croissant”.

Torta de ovo
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Daniel Rocha
,Muffins americanos
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MIGUEL MANSO

De Manhattan a Singapura, comer um pastel de nata deixou de ser um hábito exclusivo em território lusitano. A popularização desta especialidade portuguesa por supermercados, cafés e padarias por todo o mundo mereceu, por isso, destaque da Bloomberg.

“Uma sobremesa improvável está a caminho de se tornar tão omnipresente quanto o croissant“, começa por categorizar a agência. E se há uma década o pastel de nata “estava limitado à obscuridade”, agora a especialidade parece ser encontrada em cada esquina. Veja-se o exemplo de uma bandeja destes bolos em Amesterdão.

A simplicidade do bolo — que deve ser comido com as mãos e não de garfo e faca, como sublinha a Bloomberg — e a antiga origem da sua receita são duas das particularidades elogiadas no artigo.

“Culturalmente, Portugal é uma visita obrigatória na lista de viajantes internacionais e as rendas económicas de Lisboa [para os estrangeiros] estão a criar um centro de tecnologia para a geração millenial que sai de Londres e de Nova Iorque”, resume a agência. E se a qualidade da especialidade não fosse já por si suficiente, “o famoso pastel de Belém dos azulejos azul e branco foi feito para o gabarito do Instagram, apesar de o local ter sido fundado em 1837”, acrescenta.

E se o custo acessível que tem em Portugal reúne elogios, logo é feita a comparação com os preços praticados nas lojas de Londres, por exemplo, onde uma nata pode custar até três libras (cerca de 3,50 euros).

E é justamente em terras de Sua Majestade que o pastel de nata português mais parece reinar. Tenha-se por exemplo os números do último ano, quando o Lidl chegou a vender dois mil pastéis de nata por hora nos seus supermercados britânicos, escreve a Bloomberg.

De acordo com a agência, este crescimento reflecte a aposta na promoção feita pelo Governo português para aumentar a exportação do pastel de nata. Em 2012, lembra a Bloomberg, o então ministro da Economia Álvaro Santos Pereira defendia que o país devia apostar na exportação do pastel de nata. Há sete anos, o governante dizia que “os pastéis de nata podem ser tão vendáveis como os churrascos Nando's ou os hambúrgueres”. Não errou.

Outro dos elogios da Bloomberg vai para a empresa Nata Pura, uma empresa fundada em Vila Nova de Gaia, “que procurou fazer com as natas o que a Dunkin Donuts fez com os donuts”, escreve. A Nata Pura foi financiada pela sociedade de capital de risco Portugal Ventures em 2016, e actualmente vende cerca de 500 mil natas por mês em todo o mundo.