JSD repensa a escola para o século XXI e dá contributo ao PSD

Alunos devem ter formação de competências digitais desde o 1º ciclo.

Margarida Balseiro Lopes
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Margarida Balseiro Lopes Rui Gaudencio

A escola, em sentido lato, pouco mudou nos últimos 30 ou 40 anos: alunos alinhados em filas ouvem o professor e são avaliados. “É redutor. O ensino não pode estar focado nisso”, afirma Margarida Balseiro Lopes, líder da JSD. Este foi o ponto de partida da “jota” para repensar a educação em Portugal e apresentar propostas. A abertura do capital social de escolas profissionais a empresas privadas e a participação dos alunos na avaliação dos professores são duas das medidas de um conjunto que a JSD vai entregar ao PSD e que serão um contributo para o programa eleitoral do partido.

No documento que a JSD preparou estão inscritas medidas em cinco áreas – escolas do futuro; educação infantil; educação e cidadania; ensino profissional e vocacional; pólos de saúde na escola; e avaliação de professores – à luz de uma escola do século XXI. “A ideia [do trabalho] surgiu da necessidade de repensar a escola”, explica ao PÚBLICO Margarida Balseiro Lopes, líder da JSD, que entregará o relatório A educação em Portugal a Rui Rio como o primeiro contributo da “jota” para o programa eleitoral para as legislativas.

Como forma de reforçar a utilização das novas tecnologias na sala de aula – e assim captar mais a atenção dos alunos –, a JSD defende que é preciso introduzir competências digitais, mesmo na área da programação, desde o 1.º ciclo do ensino e que se deve caminhar para a “substituição gradual” dos manuais escolares em papel por materiais digitais.

No ensino profissional e vocacional, a proposta mais emblemática é a possibilidade abertura do capital social de escolas profissionais a empresas privadas para permitir a “melhoria dos programas educativos”. Já há um exemplo a funcionar, uma escola em Pombal, e com resultados de “sucesso”, segundo Margarida Balseiro Lopes. Nesta área, a JSD propõe ainda que haja uma majoração do financiamento das instituições do ensino superior que apresentem taxas de empregabilidade mais elevadas.

A escola do século XXI, segundo a JSD, deve alargar o pré-escolar gratuito aos dois anos de idade (actualmente está em três), com o objectivo de atingir um ano em 2025 e no final da licença parental após 2025. Na área da avaliação dos professores, é proposto lançar a discussão sobre os alunos serem chamados a darem o seu feedback sobre os docentes, a partir do 9.º ano, e como um elemento complementar. “A opinião recolhida deve ser baseada em vários prismas do processo educativo, incluindo não só a organização da sala de aula e do processo de aprendizagem mas também o suporte educativo que o professor disponibiliza aos alunos”, lê-se no relatório de 40 páginas.

Como forma de dar mais conteúdo às “orientações genéricas” da disciplina Educação e Cidadania, ainda opcional em alguns anos de escolaridade, a JSD definiu temas que devem ser abordados em várias idades e que vão desde a família, ao ambiente, à cultura, à saúde, passando pelo empreendedorismo.

Na relação entre a saúde e a escola, a JSD propõe a criação de equipas compostas por técnicos que se deslocam às instituições – públicas, privadas e geridas por IPSS – e que podem fazer atendimentos e rastreios em várias áreas, permitindo reduzir o tempo de aula perdido.