Em Famalicão, há um labirinto onde se viaja pela história da arte

Inaugurado no dia 01 de Abril, o Labirinto das Artes inclui um percurso por dez salas, que retrata a evolução das artes visuais, das gravuras pré-históricas às correntes modernas.

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O Labirinto das Artes abriu as portas há quase duas semanas numa quinta situada a apenas três quilómetros da cidade de Famalicão, mas envolvida num cenário rural, verde, de flores e de árvores. Um dos salões que ali existe transformou-se para acolher um caminho que retrata a história do desenho, da pintura e de outras artes visuais.

Organizado cronologicamente, o labirinto exige sucessivos ziguezagues para as paredes revelarem as formas, os padrões e as cores que marcam os diferentes períodos da história da humanidade: o percurso mostra a arte das civilizações egípcia, grega e romana, a influência religiosa na arte gótica e a profundidade existente nas pinturas renascentistas, antes de chegar aos séculos XIX e XX e a correntes como o pós-impressionismo, representado por um dos campos pintados por Van Gogh, o cubismo, o surrealismo e a arte abstracta.

O labirinto é, no entanto, circular. Começa com gravuras de animais nas paredes irregulares, numa alusão à arte rupestre da pré-história e termina com um rosto cravado numa parede, numa homenagem a Vhils e às intervenções artísticas nas cidades do século XXI. “As cidades são as cavernas de hoje, onde os artistas intervêm”, afirmou ao PÚBLICO Joana Brito, a directora artística da cooperativa A Casa ao Lado

A configuração do Labirinto das Artes, acrescentou a artista plástica, procura mostrar que “a intervenção artística no seio de uma comunidade” já existe desde o Paleolítico e enquadra-se simultaneamente no trabalho desenvolvido pela cooperativa em Famalicão – já protagonizou algumas intervenções artísticas na cidade, como a que aconteceu em agosto de 2018, nas torres do bairro das Lameiras. “As técnicas a que recorremos, como a pintura mural ou o graffiti, não são novas ou sequer recentes”

O circuito histórico agora patente em Famalicão é o resultado de uma ideia que surgiu há três anos. Além de terem concebido o percurso, os seis elementos que formam A Casa ao Lado também o executaram com recurso a fundos próprios (40.000 euros), tendo procurado retratar cada período artístico com as técnicas que lhe correspondem. Para outro dos elementos da cooperativa, Ricardo Miranda, o espaço procura transmitir uma história que explica as transições de umas correntes artísticas para outras e representa, assim, “a evolução do homem através da evolução do traço”.

Na quinta-feira, o artista acompanhou um grupo de sete pessoas numa visita, iluminando com uma lanterna os pormenores que, a seu ver, melhor explicavam as características de cada um dos períodos artísticos. A atmosfera de cada sala era ainda moldada por um som alusivo a esse período. Concluído o percurso, Felisbela Ferreira, que se deslocou da Póvoa de Varzim, mostrou-se agradada com a narrativa que encontrou. “Gostei muito de toda a cor que vi na sala egípcia. Fiquei com uma noção mais profunda da história da arte”, disse ao PÚBLICO.

Um lugar para educar

Apesar de estar aberto ao público em geral aos fins de semana, o Labirinto das Artes foi pensado sobretudo para receber alunos, da pré-escola até ao 12.º ano, salientou Joana Brito. “O espaço tem como objectivo reforçar alguns dos conteúdos abordados nos currículos escolares, introduzindo conceitos habitualmente mais ausentes da esfera curricular”, salientou Joana Brito.

Para aprofundar o conhecimento artístico entre os alunos que visitem o espaço, a Casa ao Lado decidiu criar programas anuais específicos para cada uma das correntes artísticas ali patentes. Entre Abril de 2019 e Abril de 2020, a cooperativa vai debruçar-se sobre a arte rupestre, com palestras e oficinas de litogravura, cravação, pirogravura, pintura mural e modelação.

Criado com o apoio de parceiros como a Comissão Nacional da UNESCO, o Museu das Artes para Crianças (CMA), em Nova Iorque, e o Museu Pedagógico de Arte Infantil (MuPAI), em Madrid, o Labirinto das Artes espera receber 2.500 visitas em 2019 e aumentar esse número nos anos seguintes, assumiu a directora artística.