Carros fogem dos parquímetros da Maia para o parque do Metro

Munícipes estão a optar por deixar os carros no parque destinado aos utilizadores do Metro como forma de evitar o pagamento exigido pela autarquia, expulsando assim quem realmente usa o transporte público.

Veículo de luxo
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Inês Fernandes
Carro
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“Se o parque é para utilizadores do metro, não faz sentido usarem-no para fugir aos parquímetros”, declara António Vieira. ​Esta é apenas uma das muitas mostras de descontentamento ouvidas na estação de metro Parque Maia. Os utilizadores frequentes da estação queixam-se da falta de lugares disponíveis no estacionamento que serve o espaço, situação que já era recorrente mas que ganhou uma nova dimensão depois da Câmara da Maia ter decidido, em Novembro, criar 357 novos lugares pagos na área central do concelho.

Nas artérias envolventes, agora com estacionamento pago, localizam-se alguns dos principais serviços públicos, como é o caso da própria Câmara e do tribunal, assim como o comércio local e uma grande área residencial. A proximidade das zonas pagas à estação faz com que os cidadãos vejam no parque da empresa de transportes uma alternativa mais barata para parquear as viaturas.

A tendência faz com que os utilizadores efectivos do metro recorram a lugares improvisados, como passeios e zonas verdes circundantes, para deixar o carro, uma atitude que compromete a passagem dos transeuntes, que podem transportar carrinhos de bebé ou deslocar-se em cadeiras de rodas. Para já, as queixas provêem maioritariamente de utilizadores do metro e do respectivo estacionamento, como é o caso de Patrícia Silva. “O parque há muitos anos que está subdimensionado, mas nos últimos meses as coisas pioraram. Basta chegar um pouco depois das 09h00 para ser praticamente impossível encontrar um lugar, legal ou não. Acho que a situação piorou muito desde que foi alargada a zona de parquímetros.”

As férias escolares costumavam significar um período de tréguas para os condutores que dispunham de mais lugares livres devido ao menor movimento de carros. No entanto, este cenário mudou na interrupção escolar que decorre agora. “Não, não noto que haja uma diminuição, o que é estranho.” Quem o diz é Vânia Azevedo, utilizadora do estacionamento há alguns anos e que destaca outro comportamento comum no parque: o carpooling. “Há muita gente que aproveita este espaço para o fazer, como temos aqui a entrada para a via rápida, portanto há muitos carros que aqui parados cujos donos não são utilizadores do metro.”

Outra variável a ter em conta são as recém-actualizadas tarifas dos passes sociais que podem originar uma maior procura deste meio de transporte e, por consequência, do espaço destinado aos veículos, que acaba por não satisfazer as necessidades.

Entre novos e antigos utilizadores, é unânime a necessidade de criar e implementar medidas que impeçam este tipo de comportamento. “Devia existir um sistema elevatório destinado a controlar as entradas, uma cancela. Os condutores passavam o cartão Andante e era-lhes permitida a entrada. As pessoas pagam muito pelos transportes públicos e se os parques pertencem ao metro, os utilizadores deviam ter acesso e lugares garantidos”, contesta Maria Mota.  

A instalação de parquímetros em 600 novos lugares de estacionamento no centro da Maia foi aprovada em Assembleia Municipal no passado mês de Novembro. Para este resultado, contribuíram os votos favoráveis das coligações Maia em Primeiro (PSD/CDS), que lidera a autarquia, e Um novo começo, formada por PS e JPP. BE e PCP votaram contra.

A proposta de alargar o número de lugares pagos partiu da Empresa Metropolitana de Estacionamento da Maia (EMEM) que baseia a sua iniciativa num estudo por si elaborado e que destaca a “falta de rotatividade” que caracteriza o estacionamento nesta zona da cidade.

Contactado pelo PÚBLICO, Jorge Morgado, da Metro do Porto, reconheceu que a procura do parque tem sido “mais intensa do que nunca” e diz que a empresa está disponível para estudar uma solução para problema, o que pode passar por “controlar os acessos ao parque”.

A autarquia, por sua vez, afirma que todas as estruturas vocacionadas para o estacionamento automóvel foram e são “evidentemente contempladas” aquando da “criação ou ampliação de zonas de estacionamento enquadradas por parquímetros”. 

Texto editado por Ana Fernandes