Dez frases que marcaram o asilo de Julian Assange

As dez frases mais fortes que proferiu, nas raras entrevistas que deu desde 2012, ano que marca o início do seu asilo na embaixada equatoriana em Londres. Julian Assange foi detido nesta quinta-feira.

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EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA

Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, foi detido nesta quinta-feira, na embaixada do Equador em Londres, onde vivia há quase sete anos. 

Em 2012, Assange requereu asilo junto do Governo equatoriano para evitar ser extraditado para a Suécia, onde seria julgado por crimes sexuais, que sempre negou ter cometido. A justiça sueca arquivou o caso em Maio de 2017, mas o fundador da WikiLeaks continuou na embaixada equatoriana. O prolongamento da estadia deveu-se ao facto de os EUA continuaram a investigar o site – devido à divulgação de milhares de documentos confidenciais em 2010 e pelo seu papel na divulgação de e-mails do partido democrata e de Hillary Clinton durante as presidenciais norte-americanas de 2016 – o que alimentava a hipótese de ser detido pelas autoridades britânicas e extraditado.

O PÚBLICO reuniu dez das frases mais fortes que proferiu, nas raras entrevistas que deu desde 2012, ano que marca o início do seu asilo:

  1.  “Há unidade na opressão. Deve haver unidade e determinação na resposta”, disse Assange na sua primeira aparição pública, em 2012, dois meses depois de se ter asilado na embaixada equatoriana;

  2. “Enquanto a WikiLeaks estiver sob ameaça, também estará a liberdade de expressão e a saúde de todas as nossas sociedades”, continuou, no mesmo discurso;

  3. “Apesar de continuar com esperança numa solução diplomática, ou que as autoridades suecas e norte-americanas cessem a sua busca, é muito improvável que a Suécia ou o Reino Unido alguma vez digam que não aos EUA neste assunto”, disse, em conversa com alguns jornalistas em 2013;

  4. "A Google é extremamente ambiciosa. Ela quer invadir todos os cantos do mundo. Saber tudo o que toda a gente está a fazer. (...) A Google é o maior golpe de espionagem que alguma vez aconteceu e as pessoas estão voluntariamente a contribuir para isso”, disse numa apresentação por videoconferência no último dia do Lisbon & Estoril Film Festival de 2014;

  5. "Para mim a questão é como evitar o totalitarismo. Com os avanços tecnológicos estamos muito rapidamente a chegar a um nível de centralização global, com muito poucos centros de poder. Precisamos de encontrar alternativas”, disse no mesmo festival;

  6. “Acredito que a única maneira de se chegar à justiça é através da educação. (…) Ao trazer para o domínio público [a forma] como funcionam, na verdade, as instituições humanas, podemos compreender de forma franca e, até certo ponto pela primeira vez, a civilização que temos”. Entrevista com David Greene, da rádio NPR, em 2016;

  7. Os 11 milhões de documentos da WikiLeaks são “uma biblioteca de Alexandria rebelde”, disse na mesma entrevista.

  8. Uma escolha entre Donald Trump e Hillary Clinton é como “escolher entre cólera e gonorreia”. “Pessoalmente não preferia nenhum”, disse Assange a Amy Goodman durante o programa Democracy Now da PBS, em 2016;

  9. “Se a [Wikileaks] mudou o curso das eleições [presidenciais norte-americanas de 2016]? Quem sabe, é impossível dizer. Mas se mudou, as acusações são os comentários verdadeiros de Hillary Clinton e do seu gestor de campanha, John Podesta, e da presidente do Comité Nacional Democrata, Debbie Wasserman Schultz, foram os seus comentários que mudaram as eleições”, disse, numa entrevista à Fox News em 2016

  10. “A maioria das estruturas de poder são extremamente incompetentes, com trabalhadores que não acreditam nas suas instituições, com a maior parte do seu poder a ser uma projecção da percepção de poder”, concluiu em entrevista ao Repubblica, que o visitou dentro da embaixada do Equador, em 2016.
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