Operation Libero
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Uma operação, jovem e rosa, para extrair o populismo anti-imigração da Suíça

A Operation Libero é um movimento criado por jovens suíços para mudar a narrativa anti-imigração de “medo e pessimismo” que sentem no país. Como? Com mensagens progressivas, fortes e bem-humoradas. Muitas vezes escritas em fúchsia.

Não podiam “ficar parados” enquanto testemunhavam o ódio contra imigrantes alastrar no país onde vivem. Por isso, um grupo de amigos suíços decidiu pôr em andamento uma operação: um movimento — jovem, progressista, liberal-democrático — capaz de fazer frente à onda crescente do populismo de direita e às consequentes iniciativas populares anti-imigração, recorrentes na última década. “Sentimos a necessidade de nos envolvermos, de defendermos a Suíça como terra de oportunidades, não como um museu ao ar livre”, escreveu Flavia Kleiner, 29 anos, co-presidente do movimento, num artigo de opinião publicado no Guardian

Passaram-se mais de quatro anos desde que a Operation Libero saiu pela primeira vez às ruas (e para as redes sociais), contribuindo para a vitória do “não” num referendo do partido ambientalista Ecopop, que propunha “limitar a população a um nível compatível com a preservação dos recursos naturais do país" — reduzindo a quota anual de imigrantes a 0,2% da população residente. 

O truque por detrás das campanhas envolventes que lançam? Mensagens fortes transmitidas com sentido de humor. Antes do referendo, em 2014, por exemplo, distribuíram preservativos cor-de-rosa onde escreveram na embalagem: “Previne o desastre: faz sexo contra o Ecopop”. 

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Desde essa primeira campanha, apoiada através de um crowdfunding, o movimento reuniu 1500 membros que pagam uma subscrição anual, dez mil doadores, cinco mil voluntários, quatro secções regionais e sete pessoas empregadas em regime de part-time.

Grande parte do trabalho destas pessoas é feito online. Além de vídeos virais, como os que ilustram a campanha que defende a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, preparam ainda voluntários para serem “guerreiros online” (e não trolls) em várias redes sociais. Estes voluntários usam os próprios perfis e entram em discussões online onde apresentam argumentos válidos, e não devem nunca escalar o conflito, descreve um artigo do Guardian sobre o movimento.

Nesse artigo, Kleiner confessa que gostava de ver uma nova aliança entre movimentos e partidos progressistas, liberais-democratas da Europa. Já na próxima semana, alguns dos partidos europeus de extrema-direita vão reunir-se em Milão, em antecipação às eleições europeias, um encontro organizado por Matteo Salvini, o vice-primeiro ministro italiano conhecido pela política de portas fechadas para os migrantes que chegam aos portos mediterrânicos. O objectivo é pensar uma coligação nacionalista na Europa. 

Para Flavia Kleiner, a política já não cai entre a direita ou esquerda, mas sim entre “o construtivo e o destrutivo”. Para combater o populismo de direita, diz, “tens de ser preciso, honesto, compreensível”. “E tens de ser positivo. Mudar o “sentimento de pessimismo e medo que o Partido do Povo Suíço instalou na mentalidade suíça, mudar essa narrativa.”

A 19 de Maio, vão novamente ser postos à prova. Uma nova legislação que limite a posse de armas, medida idêntica à adoptada pela União Europeia na luta contra o terrorismo, vai a votos num novo referendo. O movimento lembra que tem de ganhar o sim, para que o Tratado de Schengen de livre circulação “não seja posto em causa por causa de alguns ajustes na lei de armas suíça”. “Arriscamos muito por muito pouco”, defendem, na campanha que já estão a desenvolver. “É por isso que votamos sim à liberdade e segurança — e sim à cooperação europeia.”

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