Escritora Olga Tokarczuk venceu Booker Internacional há um ano e regressa aos finalistas

Numa lista dominada por mulheres, o escritor columbiano Juan Gabriel Vásquez é o único homem nomeado, com A Forma das Ruínas, também o único romance, entre os finalistas deste ano, até agora editado em Portugal, distinguido no Correntes d’ Escritas, no ano passado.

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A escritora polaca Olga Tokarczuk REUTERS/Michele Tantussi

 A escritora polaca Olga Tokarczuk, vencedora no ano passado do Prémio Man Booker Internacional de literatura, regressa este ano aos seis finalistas, esta terça-feira anunciados pela organização, dos quais será conhecido o vencedor no dia 21 de Maio.

Numa lista dominada por mulheres, o escritor columbiano Juan Gabriel Vásquez é o único homem nomeado, com A Forma das Ruínas, também o único romance, entre os finalistas deste ano, até agora editado em Portugal, distinguido no Correntes d’ Escritas, no ano passado.

A francesa Annie Ernaux, a alemã Marion Poschmann, a chilena Alia Trabucco Zeran e a omanita Jokha Alharthi são as outras quatro autoras candidatas ao prémio Man Booker Internacional, com os seus respectivos tradutores.

O prémio tem o valor de 50 mil libras (cerca de 58 mil euros) e é repartido igualmente por escritor e tradutor. Os seis finalistas foram seleccionados da “lista longa” conhecida há cerca de um mês, apurada entre os 108 títulos em 25 idiomas, apresentados a concurso este ano.

Os seis livros finalistas deste ano foram escritos originalmente em cinco idiomas: árabe, francês, espanhol, alemão e polaco.

O livro Drive your plow over the bones of the dead, de Olga Tokarczuk, com tradução de Antónia Lloyd-Jones, colocou novamente a autora na corrida ao prémio Man Booker Internacional, depois de há um ano ter vencido com Flights/Viagens, obra editada em Portugal pela Cavalo de Ferro.

Da mesma lista de finalistas consta o colombiano Juan Gabriel Vásquez, com The Shape of the ruins, traduzido por Anne McLean, e que se encontra publicado em Portugal desde 2017, pela Alfaguara, como A Forma das Ruínas, romance vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, em 2018, no festival Correntes d'Escritas da Póvoa de Varzim.

Também traduzido para inglês, do espanhol, outro finalista é o romance The Remainder, da chilena Alia Trabucco Zerán. A tradução é assinada por Sophie Hughes.

Outros finalistas são The Pine Island, da alemã Marion Poschmann, com tradução de Jen Caleja, The Years, da francesa Annie Ernaux, traduzido para o inglês por Alison L. Strayer, e Celestial Bodies, de Jokha Alharthi, de Omã, traduzido por Marilyn Booth.

A lista foi seleccionada por um painel de cinco jurados: a autora e premiada historiadora Bettany Hughes (Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018), a tradutora e presidente do grupo PEN do Reino Unido, Maureen Freely, a filósofa Angie Hobbs, o escritor e comediante Elnathan John e o ensaísta e romancista Pankaj Mishra.

Bettany Hughes, que preside o júri do Man Booker Internacional 2019 afirmou: “Aqui está a sabedoria em todas as suas formas. Obras inesperadas e imprevisíveis levaram-nos a escolher esta vigorosa lista [de finalistas]. Subversivos e intelectualmente ambiciosos, com “golpes” bem-vindos de inteligência, cada um destes livros sustenta um diálogo criativo. Fomos apanhados pela lucidez e a força subtil de todas as traduções”, lê-se no comunicado divulgado esta terça-feira à noite pelo prémio Man Booker Internacional.

O jornal The Guardian destaca o facto de os finalistas apresentarem este ano o maior número de sempre de mulheres escritoras - cinco, em seis.

Tendo em conta a lista de vencedores do prémio, desde a sua criação, se Olga Tokarczuk repetir a vitória, verificar-se-á então, pela primeira vez, a entrega do prémio a um mesmo autor, e em dois anos sucessivos.

O escritor albanês Ismail Kadare, o húngaro László Krasznahorkai, o coreano Han Kang e o israelita David Grossman foram outros autores distinguidos com o Man Booker Internacional, incluindo os de língua inglesa Chinua Achebe, da Nigéria, Alice Munro, do Canadá, e os norte-americanos Philip Roth e Lydia Davis.

O prémio é atribuído todos os anos a um único livro, traduzido para inglês e publicado no Reino Unido, sendo elegíveis tanto romances, como antologias de contos.

Este é o último prémio atribuído sob o patrocínio do Man Group, multinacional que, desde 2002, manteve uma parceria com a Fundação Booker Prize. No dia 1 de Junho, dez dias após o anúncio do vencedor do Prémio Man Booker Internacional de 2019, passa a vigorar um novo acordo de financiamento dos prémios, com a Fundação Crankstart, pondo fim a 18 anos daquele patrocínio.

Posteriormente, o prémio original será novamente conhecido como Prémio Booker e o prémio que distingue os melhores trabalhos de ficção traduzidas para língua inglesa passará a chamar-se Prémio Booker Internacional.