May vai a Paris e Berlim “vender” novo adiamento curto do “Brexit”

Primeira-ministra britânica reúne-se na terça-feira com Merkel e Macron para os convencer a aceitar saída a 30 de Junho. Trabalhistas exigem mudança de postura do Governo e conservadores eurocépticos planeiam voto de protesto.

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Macron e May, caricaturados numa parede de uma rua em Paris Reuters/CHRISTIAN HARTMANN

Theresa May agendou para terça-feira duas deslocações relâmpago, a Paris e Berlim, para se encontrar com Emmanuel Macron e Angela Merkel, respectivamente, e tentar vender aos dois líderes a sua proposta para o adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia até ao dia 30 de Junho. Esta sugestão já foi rejeitada pelos 27 no final do mês passado e será novamente discutida na cimeira europeia extraordinária de quarta-feira, em Bruxelas.

Face ao bloqueio do processo do “Brexit” no Parlamento, a primeira-ministra britânica encetou negociações com o Partido Trabalhista para tentar resolver o impasse e propôs aos líderes europeus uma nova data de saída – a oficial é 12 de Abril (sexta-feira). Mas o dia 30 de Junho não agrada a Bruxelas, que não admite uma data posterior às eleições para o Parlamento Europeu – que começam a 23 de Maio – e que, para além disso, exige a Londres um plano para o curto adiamento. 

Macron tem sido uma das vozes mais críticas à possibilidade de nova prorrogação do artigo 50.º do Tratado de Lisboa sem um motivo concreto, que não seja o de dar apenas mais tempo ao Governo britânico para tentar aprovar um acordo que já foi chumbado três vezes pelos deputados.

Os encontros entre May e o Presidente francês e a chanceler alemã surgem numa altura em que a pressão sobre o Governo britânico continua a aumentar dentro de portas, com trabalhistas e conservadores a exigirem mudanças na sua estratégia para o “Brexit”.

Antes de nova ronda de reuniões entre Labour e Downing Street, agendada para o início da noite de segunda-feira, o “ministro-sombra” do “Brexit”, Keir Starmer, dava voz à frustração da oposição, por causa da falta de vontade do executivo em abdicar das suas linhas vermelhas e considerar uma união aduaneira com a UE.

“Até ao momento não assistimos a qualquer mudança de posição do Governo. Apenas indicaram várias situações e não alterações à declaração política [sobre a relação futura entre Reino Unido e UE]. Por isso a bola está do lado do Governo”, informou o trabalhista.

Do lado conservador, é na sua ala eurocéptica que reina maior frustração com a estratégia de May, de pedir novo adiamento do “Brexit” para impedir uma saída sem acordo já no dia 12.

Impedidos pelos regulamentos do Partido Conservador de desafiarem May durante um ano, na sequência do chumbo da moção de desconfiança interna no final de 2018, os deputados que compõem a facção hard-brexiteer tory defendem a convocação de uma moção indicativa e não-vinculativa à sua liderança.

“Se os meus colegas puderem demonstrar, antes de quarta-feira à noite, numa votação indicativa (...) que perderam a confiança na primeira-ministra, acredito que será extremamente improvável que o Conselho Europeu garanta uma prorrogação [da data de saída] e assim sairíamos da UE na sexta-feira à noite, como muitos tories querem”, defendeu o deputado Mark Francois, numa carta enviada ao líder do Comité 1922, que junta os representantes conservadores no Parlamento.