Ordem convoca Fórum Médico para 17 de Abril para debater o que se faz neste “momento de crise”

O bastonário explicou que o Fórum médico, plataforma que reúne todas as associações e estruturas médicas, discute várias questões relacionadas com a saúde sobretudo em momentos de crise. “A verdade é que neste momento o Fórum Médico é convocado em mais um momento de crise que estamos a ter e vamos ter na saúde.”

Ordem dos Médicos
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Paulo Pimenta

A Ordem dos Médicos convocou o Fórum Médico para o dia 17 de Abril numa altura “de crise” no sector e em que os sindicatos médicos admitem avançar para uma greve.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM) à margem da comemoração dos 50 anos da Unidade de Cuidados Intensivos para Doentes Coronários (UTIC), do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

“Recebi a indicação dos organismos que fazem parte do Fórum Médico, nomeadamente dos sindicatos médicos, mas também de outras associações” para o convocar, o que acontecerá a 17 de Abril, disse Miguel Guimarães aos jornalistas.

O Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos reuniram-se na quarta-feira com a ministra da Saúde, Marta Temido, e no final do encontro anunciarem que iam solicitar ao bastonário que marcasse o Fórum médico, porque “o Ministério da Saúde parece querer empurrar os médicos para uma greve que não desejam”.

“A reunião entre a Ordem dos Médicos e a ministra da Saúde não correu bem, não foi uma boa reunião, o que vai fazer com que da nossa parte tenhamos que encarar a situação de uma forma diferente daquela que tem sido feita até agora”, adiantou Miguel Guimarães.

O bastonário explicou que o Fórum médico, plataforma que reúne todas as associações e estruturas médicas, discute várias questões relacionadas com a saúde sobretudo em momentos de crise. “A verdade é que neste momento o Fórum Médico é convocado em mais um momento de crise que estamos a ter e vamos ter na saúde”, sublinhou.

Sobre o que pode resultar deste Fórum Médico, Miguel Guimarães disse que podem sair recomendações à tutela ou “acções concretas para serem implementadas na defesa da qualidade da Medicina, mas sobretudo na defesa dos doentes”.

“Nós sentimos que os profissionais de saúde estão a ser completamente desprezados pela actual tutela, pela senhora ministra da Saúde, as deficiências que existem a nível do Serviço Nacional de Saúde não estão a ser corrigidas e nós estamos a falar de deficiências complexas a nível de capital humano, de equipamentos, que têm levado a que vários hospitais e centros de saúde estejam numa situação dramática”, salientou.

Miguel Guimarães deu como exemplo o Hospital Garcia de Orta, em Almada, para o qual a Ordem dos Médicos já chamou a atenção há três meses e a situação continua por resolver. O hospital não pode assegurar 24 horas “o serviço de urgência com tão poucos pediatras, sobretudo no período nocturno, e até ontem [quinta-feira] nada tinha sido feito”, lamentou.

Este tipo de situações “ocorre por todo o país e temos que tomar uma decisão relativamente àquilo que é a nossa actuação nesta área porque não podemos continuar a deixar que isto aconteça”, vincou.

“Não podemos continuar a permitir que o poder político faça dos profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos, os bodes expiatórios do sistema em várias áreas, nomeadamente quando não existem condições adequadas para a segurança clínica”, sustentou.

Na cerimónia dos 50 anos da UTIC, em que esteve presente a ministra da Saúde, o bastonário pediu a Marta Temido para “dar mais atenção a todos os profissionais de saúde e a todas as unidades de saúde” e afirmou que “é importante as pessoas sentirem o apoio de quem lidera a saúde em Portugal”.

À saída, a ministra foi questionada sobre os jornalistas sobre como se comemora o Dia Mundial da Saúde com a ameaça de greve de médicos e críticas ao SNS. “A comemorar um dia de festa, de união, de concentração em torno daquilo que nos une e o que nos une é a saúde dos portugueses e sobre isso penso que não subsiste qualquer dúvida”, afirmou.

Disse ainda que “a função de uma ministra da Saúde é preocupar-se com os problemas e acima de tudo resolvê-los”, admitindo que compreende que a função de “outros actores” seja identificar aquilo que “vai correndo menos bem”.

“Isso ajuda-nos a sinalizar aquilo que temos para fazer, mas vivemos felizmente num sistema em que cada actor tem a sua função”, rematou Marta Temido.