Rede de eléctricos da Carris vai ligar o Jamor a Sacavém

Carris vai comprar 15 novos eléctricos para reforçar a oferta da carreira 15 e poder pensar em expandi-la à Cruz Quebrada.

Fotomontagem de como se prevê que sejam os novos eléctricos articulados da Carris
Foto
Fotomontagem de como se prevê que sejam os novos eléctricos articulados da Carris DR

O projecto de alargar a rede de eléctricos da Carris à Cruz Quebrada e ao Parque das Nações conheceu esta quarta-feira novo desenvolvimento, quando o presidente da câmara de Lisboa anunciou que a ambição é, afinal, chegar também a Sacavém. Com a já prometida linha entre Alcântara e o Jamor, via Ajuda e Linda-a-Velha, será assim possível viajar sem transbordos entre os concelhos de Oeiras, Lisboa e Loures.

A inclusão de Sacavém neste plano foi referida na cerimónia de lançamento do concurso público para a compra de 15 novos eléctricos articulados, os que actualmente estão ao serviço da carreira 15 da Carris. O prolongamento dessa linha até ao Jamor e ao Parque das Nações é um objectivo há muito assumido por Fernando Medina, mas o autarca diz que a ambição cresceu para poder servir uma zona densamente habitada, já em Loures, onde a oferta de transporte público ainda é deficiente.

Para o outro lado de Lisboa, a zona ocidental, e como o PÚBLICO já tinha antecipado em Outubro, está a ser desenhada uma linha que ligará Alcântara à Cruz Quebrada com passagem no Pólo Universitário da Ajuda, Hospital de São Francisco Xavier, Miraflores e Linda-a-Velha. Esse projecto, que se chamará LIOS – Linha Intermodal Ocidental Sustentável –, terá início numa futura estação de metro no Alto de Santo Amaro, incluída na expansão da linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara.

Para já, no entanto, a ambição é muito mais modesta. Com o bom tempo a chegar e a cidade a encher-se de turistas, os eléctricos 15 começam a não dar conta do recado, o que obriga a Carris a pôr autocarros articulados a fazer o mesmo percurso, entre a Baixa e Belém. Mal cheguem, os novos veículos servirão para suprir as necessidades desse troço, libertando autocarros para outras carreiras, e só depois se falará em crescimento da rede.

A extensão à Cruz Quebrada é a mais fácil porque a infra-estrutura (carris e catenárias) já existe. O prolongamento a Santa Apolónia ainda precisa de obras e estas estão dependentes de outras, as do Plano Geral de Drenagem, que ainda não arrancaram. Segue-se a construção da linha LIOS e, só depois, o alargamento entre Santa Apolónia, o Parque das Nações e Sacavém.

Ou seja, ainda vai demorar. Fernando Medina acredita que será possível “lançar os concursos para as obras já no próximo ano”, mas elas nunca arrancarão antes de 2021. Para “este mandato certamente”, diz o autarca, ficam prometidas apenas as ligações à Cruz Quebrada e a Santa Apolónia.

Mais eléctricos na calha

O concurso agora lançado, com um valor-base de 50,9 milhões de euros, segundo o anúncio publicado em Diário da Repúblicaprevê o fornecimento de 15 novos eléctricos articulados e respectiva manutenção. O caderno de encargos obriga a que os veículos sejam maiores do que os eléctricos actualmente em uso e tenham capacidade para transportar mais passageiros. O primeiro deve chegar 22 meses depois da adjudicação do contrato, o que ainda pode demorar alguns meses.

Os dez eléctricos articulados que a Carris tem hoje foram fabricados entre 1994 e 1995 e entraram ao serviço no início de 1996. Desde então, a empresa não mais voltou a comprar eléctricos.

Lisboa chegou a ter uma rede com inúmeras carreiras, que foram progressivamente desactivadas nas últimas décadas do século XX. O que a câmara agora pretende fazer com o eléctrico 15 não é exactamente uma novidade. Assemelha-se, por exemplo, ao que já existiu com a extinta carreira 9, que na sua versão final ligava Santos ao Poço do Bispo.

Segundo Fernando Medina, a extensão da rede para ambos os lados da cidade “vai exigir um novo concurso de aquisição de eléctricos”, que deverão ser comparticipados pelas autarquias de Oeiras e Loures.