As aldeias históricas ainda não cativam. Mas é preciso saber porquê

Há uma nova ferramenta que quer dar a conhecer melhor estes territórios de baixa densidade, onde o turismo é uma oportunidade, mas não há estudos suficientes que permitam saber o seu impacto económico e social.

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Linhares da Beira é uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal PAULO RICCA / PUBLICO

São 12 aldeias “perdidas” no interior do país. Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso e Idanha-a-Velha são recheadas de estórias e de natureza, no entanto, apenas metade (49%) dos turistas que as visitam pretendem regressar. E apenas 50% recomendaria a um amigo uma visita a uma destas as Aldeias Históricas de Portugal. Por que razão são estes números assim, como se podem melhorar? Como é que se poderá captar mais visitantes e mais investimento? 

Foi a pensar na falta de informação sociodemográfica que existe sobre estes territórios de baixa densidade, que uma equipa de técnicos das Aldeias Históricas de Portugal, da Universidade de Aveiro, do Instituto Politécnico da Guarda e do Turismo Centro de Portugal se juntou para estudar melhor estes territórios afastados dos centros de poder.

Este será um estudo pioneiro, cujos resultados preliminares foram apresentados esta quarta-feira na aldeia de Linhares da Beira, que pretende dar resposta à falta de dados qualitativos sobre estes territórios — quem é que lá vive, quem visita, que serviços há para oferecer, como se sentem os turistas sobre a forma como são acolhidos —, explicou ao PÚBLICO, Carlos Santos, coordenador do projecto PlowDer.

De acordo com dados preliminares, recolhidos em Setembro e Outubro de 2018, cada visitante das Aldeias Históricas tem um orçamento médio de 546,95 euros, fica alojado entre um a dois dias e passa, em média, por três aldeias. Consoante a aldeia, o preço médio de uma refeição, pode variar entre os 8 (em Almeida e em Idanha-a-Velha) e os 17,5 euros (em Sortelha e Monsanto) e uma dormida entre os 20 e os 70 euros. Conhecendo melhor o território, acreditam os autores do estudo, será possível tomar decisões – também políticas – mais informadas sobre eles, planear de forma mais certeira a sua estratégia de desenvolvimento. 

Já em 2013, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) tinha dado conta de que seria necessário ter indicadores que permitissem avaliar o impacto socioeconómico das aldeias históricas na economia local e regional, recorda Carlos Santos, que é também professor na Universidade de Aveiro. 

O objectivo foi, portanto, desenvolver um método para recolher e tratar essa informação. Foram definidos, assim, 88 indicadores que avaliam o ecossistema, o bem-estar, a mobilidade e acessibilidade, a satisfação, a cultura, o marketing, a economia ou o emprego destas regiões. 

Segundo explicou Carlos Santos, foi criada uma plataforma digital para recolher informação junto dos residentes, agentes económicos, autarquias e visitantes. Porque se interessa fomentar o turismo como motor económico da região, interessa também conhecer melhor a população que ali vive e perceber que incentivos podem ser dados para fixar pessoas nestes territórios de baixa densidade. 

Este projecto-piloto, financiado por fundos comunitários, foi desenvolvido durante 18 meses, desde Setembro de 2017, nas 12 aldeias históricas, mas falta ainda analisar mais aprofundadamente a informação recolhida. No entanto, acredita Carlos Santos, este instrumento poderá ser replicado a nível nacional e internacional.