Maria João Pires abre Belgais a concertos em Noites de Verão de Junho a Setembro

O novo ciclo de concertos prolonga-se de 14 de Junho a 15 de Setembro.

Fotogaleria
Centro de Artes de Belgais Nelson Garrido
Piano
Fotogaleria
Maria João Pires em Belgais Nelson Garrido

A pianista Maria João Pires idealizou um “Festival de Verão”, com oito concertos, a realizar de Junho a Setembro, em Belgais, inspirada nas Noites de Verão, de Berlioz, numa altura em que também actuará em Espanha.

Maria João Pires irá “tocar em todas as datas” do festival, disseram à Lusa responsáveis do Centro de Artes de Belgais, referindo-se ao novo ciclo de concertos, que se prolonga de 14 de Junho a 15 de Setembro, e que sucede a “O Fio do Danúbio”, iniciado em Janeiro.

A realização dos concertos em Belgais acontece a par de actuações de Maria João Pires fora do país, nomeadamente na 68.ª edição do Festival Internacional de Santander, em 26 de Agosto, como anunciou esta semana a organização do festival espanhol, e no âmbito das conferências Cuidar da Vida (Prendre soin de la vie), que têm lugar na Sinfónica de Montreal, no Canadá, no próximo dia 13, para as quais a pianista concebeu um “concerto-meditação”, com o monge budista Matthieu Ricard. 

Durante o verão, Belgais “irá acolher concertos ao ar livre, evocando não só um universo nocturno e onírico, como também o sentimento profundo da natureza, sem a qual não existe elevação espiritual”, lê-se na apresentação do programa.

A versão inicial de Nuits d'Eté/Noites de Verão, que compositor francês Hector Berlioz concluiu em 1841, numa alusão a Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, serviram de inspiração ao programa dos diferentes concertos.

O primeiro, Sonata ao Luar, corresponde aos concertos dos dias 14 e 15 de Junho, e “é dedicado aos mistérios da noite e à sede de conhecimento suscitada pela contemplação dos astros”.

Inclui “peças nocturnas” de John Field, Chopin, Liszt ou Fauré, “mas também obras que evocam o ciclo do zodíaco, como Tierkreis, de Stockhausen”, que “irão compor o quadro de uma espécie de sonho cósmico”.

O segundo programa, “O Espírito do Tempo”, para os concertos dos dias 19 e 20 de Julho, pretende “reflectir a conversão das sensações corporais em mediação interior e espiritual”, com obras de Arvo Pärt, Komitas ou Johann Sebastian Bach.

O terceiro, nos dias 16 e 17 de Agosto, exactamente Sonho de Uma Noite de Verão, segue os passos de Felix Mendelssohn, com a sua música de cena de 1827, inspirada na peça homónima de Shakespeare. O programa envolve “peças para piano e transcrições”, para celebrar “a obra deste compositor emblemático da sensibilidade romântica”.

A última etapa do Festival de Verão, nos dias 14 e 15 de Setembro, tem por lema Canto da Terra, e “é uma celebração da voz”, com “um repertório de peças vocais de Grieg, Mendelssohn e Mahler”, a interpretar por um coro de vozes iguais, masculinas, a “demonstrar que qualquer percepção sensível e espiritual assenta na harmonia do corpo humano com a mãe natureza”, descreve o Centro de Artes.

O programa “O Fio do Danúbio”, iniciado em Belgais, em Janeiro, tem ainda mais duas “escalas” com Maria João Pires, nos recitais dos dias 27 e 28 deste mês, “Em direcção à Hungria”, e nos dias 18 e 19 de Maio, “De Budapeste ao Delta”. Todos os concertos se encontram esgotados.

“O Fio do Danúbio” foi anunciado no final do ano passado, depois dos concertos de Natal e de Ano Novo, que marcaram o regresso de Maria João Pires a Belgais.

A escolha de Belgais é uma opção deliberada da pianista pelo isolamento, segundo a apresentação do centro, na Internet. “Uma escolha desafiante e difícil, que parecia necessária para a plena implementação das concepções musicais e humanísticas” de Maria João Pires.

Belgais, no distrito de Castelo Branco, “é uma história: dezenas de oficinas, desde o início de 2000, mas também conferências, concertos, performances e até uma ópera, “Dido e Aeneas”, produzida em completa autonomia”, recorda o centro.

É também “um laboratório” e “um futuro”, pois é “um palco em constante movimento, em permanente reinvenção, pronto para receber músicos e visitantes, para oferecer momentos de excepcional densidade humana e artística”.

Maria João Pires, de 74 anos, natural de Lisboa, é a mais internacional pianista portuguesa da actualidade. Em 1970, venceu em Bruxelas o Concurso Internacional do Bicentenário de Beethoven, consolidando o início da sua carreira internacional.

Em 1989 recebeu o Prémio Pessoa. O Governo português, em 1983, condecorou-a com o grau de dama da Ordem Militar de Sant’ Iago da Espada, em 1989 como Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique, e em 1998 recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’ Iago da Espada.