Bouteflika demite-se de Presidente da Argélia

General Salah fala num “bando” de conspiradores que se apoderaram da Presidência da República e diz que o Exército apoia o povo “até que sejam satisfeitas as suas reivindicações”.

Bouteflika sofreu um AVC em 2013 e raramente é visto em público
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Bouteflika sofreu um AVC em 2013 e raramente é visto em público RAMZI BOUDINA/Reuters
Os manifestantes, sobretudo estudantes, saíram à rua de novo nesta terça-feira
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Os manifestantes, sobretudo estudantes, saíram à rua de novo nesta terça-feira MOHAMED MESSARA/EPA
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O Presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, anunciou ontem a sua demissão depois de ter sido pressionado pelo chefe do Estado-Maior do Exército argelino, general Ahmed Gaed Salah, a afastar-se imediatamente, dizendo que já foi desperdiçado demasiado tempo. “O Exército deixou de reconhecer a autoridade da Presidência da República, dirigida por um bando”, anunciaram os militares numa declaração citada pela agência APS.

Na segunda-feira, Bouteflika — de 82 anos e doente —, já havia anunciado que saía do poder até 28 de Abril, depois de semanas de manifestações nas ruas a exigir a sua partida e uma mudança de regime. Bouteflika tentou acalmar as ruas ao anunciar que abandonava os planos de se recandidatar a um quinto mandato. Mas os protestos continuaram.

Na tarde de ontem, os manifestantes voltaram às ruas de Argel contra o plano de transição anunciado — o mesmo que o general Salah rejeitou. Salah — que já tinha levantado a possibilidade de o chefe de Estado ser afastado por incapacidade — exigiu que fosem imediatamente aplicados os mecanismos constitucionais para o declarar inapto para governar.

A Constituição diz que um conselho especial poderia declarar Bouteflika inapto. Nesse caso, assumiria a chefia do Estado o presidente da câmara alta do Parlamento, Abdelkader Bensalah, num mandato de 90 dias até se realizarem eleições.

O documento dos militares falava na presidência como “um bando” que faz “conspirações abjectas” e anunciava o seu apoio ao povo. Os manifestantes, porém, exigem uma mudança completa do regime e uma das palavras de ordem nas ruas de Argel tem sido: “Nem Bensalah nem Salah”.