Imagens “quase” inéditas: John Lennon e Yoko Ono estão outra vez numa cama de hotel

A célebre sessão em que o casal de artistas reuniu jornalistas no seu quarto do Hilton de Amesterdão volta aos jornais. No domingo reapareceram imagens que estavam esquecidas há 50 anos.

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Uma semana numa suite de hotel a receber jornalistas e a falar da paz e do amor. Ou, na versão do lendário músico John Lennon e da sua mulher, a artista Yoko Ono, uma semana de lua-de-mel. Foi assim em 1969, num dos quartos do Hilton de Amesterdão e as imagens desse bed-in pacifista correram mundo. Neste domingo, na Holanda, o público recuperou 30 minutos delas. Compõem a segunda parte de um documentário filmado por jornalistas holandeses, noticia o diário espanhol El País ou o francês Le Figaro.

Estas imagens a cores que dão conta desta acção política do ex-Beatle e de Yoko Ono terão sido difundidas apenas uma vez, logo em cima do acontecimento, e depois desapareceram nos arquivos. 

Os dois casaram-se a 20 de Março de 1969 em Gibraltar e resolveram transformar a sua união num apelo à paz e ao amor organizando, em plena guerra do Vietname, estes invulgares encontros com a imprensa. O escândalo foi imediato e o alcance mediático da mensagem enorme.

O documentário acompanhava as viagens do casal a Amesterdão e Viena e foi agora exibido na íntegra para coincidir com o 50.ª aniversário desta invulgar acção conjunta pela paz. 
A data foi também celebrada pelo Hilton de Amesterdão, que organizou dez dias de visitas guiadas à suite que o casal ocupou, recebendo milhares de fãs.

Conta o diário espanhol, citando programa televisivo holandês Nieuwsuur, que as imagens que podem ser hoje revistas só não foram destruídas por um triz, graças à diligência e curiosidade de um empregado da televisão pública KRO, Jan Hovers.

Foi ele que, durante uma limpeza aos arquivos na década de 1980, impediu que a bobina que tinha na caixa a etiqueta “Lua-de-mel de John Lennon, segunda parte” fosse destruída. Hovers, contou agora ao Nieuwsuur, levou-a para casa e arrumou-a, sem pensar mais no assunto. “Ao que parece tive um tesouro histórico em minha casa durante décadas”, afirmou, mostrando a velha caixa metálica com a bobine e admitindo que sempre pensou tratar-se de uma cópia, nunca lhe tendo passado pela cabeça que seriam imagens únicas, originais. 
Mark Lewisohn, reconhecido historiador dos Beatles, assegurou já tratar-se do “documentário desaparecido”.

No mesmo programa holandês este historiador explica por que considera “natural” que estes 30 minutos de filme tivessem ficado perdidos durante 50 anos: “O John e a Yoko atravessavam uma fase em que faziam, em filme e em áudio, uma crónica da sua vida. No ano de 1969 eles eram basicamente seguidos por câmaras quase sempre. Estavam quase sempre sob o olhar público. Quando se tem tão grande quantidade de filme é fácil perder o rasto a uma parte. Este filme, por algum motivo, separou-se do resto, mas felizmente alguém o guardou durante 50 anos.”


Lewisohn só agora viu pela primeira vez estas imagens. “São muito especiais” e serão um “bom acrescento aos arquivos”, disse ainda à televisão holandesa. “Permite-nos ter mais informação sobre este período… E estão a cores… As outras imagens que passaram no Reino Unido na altura, as que vi, eram a preto-e-branco porque a televisão era assim na altura.”