No New York Times, a calçada portuguesa é um “tapete de pedra”

Jornal norte-americano destaca a calçada num passeio por Lisboa, a sua arte, a sua escola e os seus mestres.

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A homenagem a Amália por Vhils na calçada na Rua de São Tomé, em Lisboa. A peça chama-se precisamente "Calçada" DR
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Jonas Vildmark na área de Bushcraft no Explore 2019
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JOSE MANUEL RIBEIRO/Reuters
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A homenagem ao Calceteiro nos Restauradores DR/CML
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A homenagem ao Calceteiro nos Restauradores DR/CML
Lisboa
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Detalhe da homenagem a Amália por Vihls na calçada na Rua de São Tomé, em Lisboa DR/CML
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Calceteiro em acção nas ruas de Lisboa MIGUEL MADEIRA/MIGUEL MADEIRA

“Em Lisboa, um tapete de pedra sob os seus pés”. Foi com este título que o The New York Times publicou, este fim-de-semana, um artigo dedicado à calçada portuguesa, debruçando-se sobre a sua história, o seu valor artístico e, particularmente, focando-se nos calceteiros, incluindo as suas colaborações com novos artistas: logo a abrir, uma fotografia da obra projectada por Vhils para Alfama em homenagem a Amália.

"São um tapete no qual as pessoas muitas vezes não reparam", disse ao jornal Luísa Dornellas, directora do departamento de formação da autarquia lisboeta que integra a Escola de Calceteiros – uma frase marcante que inspirou o título e artigo.

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Pedro Cunha
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Pedro Cunha

Referindo-se à forma como no país a calçada, que também quer ser Património da Humanidade pela UNESCO, é considerada uma “obra de arte", que os portugueses também espalharam pelo mundo, o jornal debruça-se sobre a arte dos calceteiros e a formação de novos mestres, analisando a criação da escola em 1986 (de onde, sublinham, já saíram 224 profissionais), assim como o trabalho desta para arquivar um conhecimento que noutros tempos era apenas oral.

Detalhando-se a história da dispersão da calçada por Lisboa, desde meados do século XIX até espalhar-se pelas praças e artérias – chegando depois a muitas partes do mundo, ao “Rio, Angola, Macau, Moçambique”, como refere Luísa Dornellas –, o jornal acompanha ainda o mestre calceteiro Jorge Duarte, que explica o processo de criação e desenhos da calçada, durante algumas horas de trabalho. Indica-se até qual o símbolo que serve de assinatura às criações do mestre Duarte – todos os calceteiros têm uma, no caso é um coração. Como se diz no artigo, no caso de desenhos na calçada portuguesa, apesar dos recorrentes temas marítimos ou históricos, “a imaginação é o limite”.

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Memorial John Lennon, Nova Iorque Mike Segar/Reuters

O artigo, assinado pela jornalista Kathleen Beckett e publicado no sábado, termina com as estátuas que prestam tributo aos calceteiros e que estão colocadas nos Restauradores, lembrando ainda, pelo meio, uma curiosidade luso-americana: “Nos EUA há alguns exemplos [de calçada portuguesa], sendo o mais notável talvez o do memorial a John Lennon, no Central Park de Nova Iorque". Neste lê-se, precisamente, “Imagine”.