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Em cima da prancha, a prótese não é obstáculo para Dani Burt

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É sem uma perna que Dani Burt enfrenta correntes e marés. A prótese chegou a assustar, mas não a impediu de “tornar possível” o sonho de voltar ao mar e surfar até ao título mundial. Durante a infância em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, além de andar de skate, a atleta já apanhava as ondas numa prancha de bodyboard. Contudo, em 2004, quando tinha 20 anos, um acidente de mota deixou-a com lesões graves, que obrigaram os médicos a amputar-lhe a perna direita. Depois de 45 dias em coma, Dani acordou "chocada". "É definitivamente difícil sair de casa com um corpo que já não reconheces, que não consegue fazer aquilo a que estava habituado", explica à NBC.

No entanto, não desistiu. Após a fase de reabilitação, Dani reparou que nada a impedia de caminhar para uma vida activa. Por isso, começou a coleccionar desportos: às antigas pranchas de skate e de bodyboard juntavam-se as de snowboard e de surf, mas agora com uma prótese biónica. "Estás a usar algo que realmente não faz parte de ti, mas tens que a tornar uma parte de ti", realça, em declarações à iniciativa @world, uma parceria entre o Instagram e o BuzzFeed, que em Março destacou mulheres com impacto na comunidade local e nas redes sociais.

Regressar ao mar não foi tarefa fácil. Na falta de soluções, Dani teve que inventar uma prótese específica para surfar, uma das primeiras a nível mundial. Em 2010, começou a competir nos campeonatos de surf adaptado, tornando-se a primeira mulher amputada acima do joelho a praticar este desporto. Em 2016, frente a adversários do sexo masculino, sagrou-se campeã dos Estados Unidos.

Mas não se ficou por aqui: até 2018, nas competições por equipas mistas, os pontos obtidos pelas mulheres valiam apenas metade dos obtidos pelos companheiros do sexo masculino. A surfista de 34 anos não conseguia compreender esta discriminação e apelou à igualdade de género, com o apoio de outros profissionais e atletas da área. A Associação Internacional de Surf (ISA, no acrónimo em inglês) reconheceu as reivindicações e tornou o sistema de pontuação igualitário. Em Dezembro desse ano, a equipa de Dani viria a conquistar uma vitória histórica no campeonato mundial de surf adaptado da ISA, a primeira para os Estados Unidos.

Fisioterapeuta no Sharp Memorial Hospital, em San Diego — ao lado dos profissionais que a ajudaram a reerguer-se —, também dá aulas de surf a jovens amputados ou com qualquer tipo de deficiência. Dani Burt assume a responsabilidade de ser uma inspiração e, por isso mesmo, através de vídeos e fotografias nas contas de Instagram e YouTube, revela dicas e mostra como ultrapassa as barreiras do dia-a-dia. No final, espera que, tal como ela, "também essas pessoas sejam capazes de mergulhar na água, subir uma montanha ou andar de skate". 

@dani.burt
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