Academia Sueca preenche mais duas vagas

Com a eleição das romancistas Ellen Mattson e Anne Swärd, anunciada esta sexta-feira, está quase concluída a reconstituição da Academia após a saída de vários membros na sequência da crise provocada pelas ligações da instituição ao artista francês Jean-Claude Arnault, condenado por abusos sexuais e violações.

Foto
Ellen Mattson LUSA/Henrik Brunnsgard

As romancistas Ellen Mattson, de 56 anos, e Anne Swärd, de 50, foram eleitas esta sexta-feira para a Academia Sueca, colmatando mais duas das muitas vagas abertas na sequência do escândalo que abalou a instituição quando se tornaram públicas acusações de abusos sexuais e violações contra o marido da académica Katarina Frostenson, o artista francês Jean-Claude Arnault, que terá também divulgado antecipadamente às casas de apostas os nomes de vários vencedores do Nobel da Literatura.

Em lento processo de reconstituição, que implicou revogar a norma segundo a qual os membros eram eleitos a título vitalício, só falta agora à Academia colmatar a vaga aberta pela ex-secretária Sara Danius, cuja saída só foi formalizada em Fevereiro, para voltar a ter as suas 18 cadeiras ocupadas.

As duas novas académicas, Ellen Mattson e Anne Swärd – nenhuma delas está por enquanto traduzida em português –, substituirão respectivamente a teóloga Jayne Svenungsson e a romancista e dramaturga Sara Stridsberg, que renunciaram aos cargos em 2018, a primeira em Novembro passado e a segunda já em Abril, tendo-se na altura solidarizado com Sara Danius, pressionada a sair por um grupo de membros que criticava o modo como a secretária estava a gerir a crise.

Uma das consequências mais visíveis do escândalo foi a não-atribuição do Nobel da Literatura em 2018, tendo a Academia já anunciado que irá premiar este ano dois escritores. E o Comité Nobel irá, pela primeira vez, ser coadjuvado na escolha por cinco júris externos, uma decisão que reflecte a consciência que a Academia tem de que a crise afectou profundamente a sua credibilidade.

O escândalo rebentou já em Novembro de 2017, quando o diário sueco Dagens Nyheter publicou um artigo que atribuía a Jean-Claude Arnault um longo passado de abusos sexuais, incluindo várias tentativas de violação e uma violação consumada. Baseado em testemunhos de 18 mulheres, o jornal acusava o francês de ter praticado estes abusos quer em propriedades da Academia Sueca em Estocolmo e em Paris, quer no clube literário de que era co-proprietário com a mulher, a poetisa Katarina Frostenson, e que a própria Academia ajudava a financiar.

A instituição cortou as suas ligações com Arnault e abriu um inquérito que concluiu que este teria sido responsável por passar antecipadamente às casas de apostas os nomes de vários vencedores do Nobel da Literatura, incluindo Wislawa Szymborska (1996), Elfriede Jelinek (2004), Harold Pinter (2005), Le Clézio (2008), Patrick Modiano (2014), Svetlana Alexiévich (2015) e Bob Dylan (2016).

Em Dezembro, Arnault foi condenado em Estocolmo, por um tribunal de recurso, a dois anos e meio de prisão por violação de uma mulher em Outubro de 2011, sentença de que recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça sueco.