Familiares na política? “É o funcionamento normal da democracia”. E a polémica é culpa das eleições, diz o PS

Vice-presidente da bancada segue a linha de defesa de António Costa sobre as relações familiares no Governo.

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Pedro Delgado Alves Miguel Manso

Depois de António Costa vincar que as relações familiares no Governo estão no plano da normalidade, foi a vez do deputado socialista Pedro Delgado Alves repetir a ideia no Parlamento. O vice-presidente da bancada do PS, que é também presidente da junta de freguesia do Lumiar e cuja mulher foi nomeada, há poucos meses, chefe de gabinete do secretário de Estado da Modernização Administrativa, desvaloriza o barulho feito em torno do assunto, diz ser o “funcionamento normal de uma democracia” e aponta alguma “vontade de querer capitalizar o assunto politicamente” num tempo próximo de eleições.

“O que existe é uma cobertura mediática muito intensa, como já se sublinhou. Obviamente há um contexto eleitoral que aguça a procura de casos similares, mas se verificarmos nas muitas centenas, nalguns casos milhares, de nomeações ou de exercício de cargos políticos em Portugal e noutros países, aquilo que registamos é meia dúzia de casos que estão longe de traduzir aquilo que alguns comentadores descreveram como uma epidemia ou um problema fora de controlo”, afirmou Pedro Delgado Alves aos jornalistas no final da reunião do grupo parlamentar do PS.

O vice-presidente – que substituiu Carlos César na habitual tarefa de falar à comunicação social depois das reuniões socialistas – defendeu que “há formas de escrutinar” se as pessoas que nomeadas para cargos políticos “são ou não qualificadas”.

Lembrou que os registos de interesses dos deputados identificam o nome do cônjuge ou unido de facto “para permitir que esse controlo possa ser feito”, que todas as nomeações de qualquer responsável político são publicadas em Diário da República. Estas permitem, realçou, a “qualquer cidadão, em qualquer momento, aferir se as pessoas têm ou não as qualificações para o efeito”. “É esse exercício que deve ser feito em democracia, respeitando plenamente a vontade de todos os cidadãos serem esclarecidos mas também, obviamente, não deixando de ter em conta que as pessoas têm direito a exercício de funções públicas electivas nalguns casos, de responsabilidade e até de confiança política noutros. Portanto, é o funcionamento normal de uma democracia.”

Delgado Alves insistiu na ideia de que não há nada errado, dizendo que “em qualquer país, em qualquer sistema democrático, em qualquer momento da nossa história democrática, não há nada que revele uma anormalidade no que se passa” e que se está a fazer uma “distorção de uma realidade que é usual e tem pouco de anormal”. “Há sim, um empolamento, infelizmente, alguma vontade de querer capitalizar politicamente.”