Ponte de Vilar de Viando
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Ponte de Vilar de Viando Eu não assino

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“Frinão”, a petição que ninguém quer assinar

A Protecção Civil declarou a Barragem de Fridão como risco máximo para a população de Amarante, o que não me admira uma vez que a cidade está apenas a seis quilómetros de distância deste empreendimento. Eu não assino esta petição e espero que tu também não.

As organizações ambientalistas Rios Livres e GEOTA lançaram uma campanha original para travar a construção do empreendimento hidroeléctrico de Fridão, designada “A petição que ninguém quer assinar”.

Esta original petição — que já foi, aliás, alvo da curiosidade da imprensa internacional — afirma: “Declaro, para os devidos e legais efeitos, que me responsabilizo por todas as consequências decorrentes da construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Fridão. Compreendo e assumo pessoalmente todos os riscos associados com a localização a seis quilómetros da cidade de Amarante, numa zona de actividade sísmica, colocando todo o centro histórico da cidade com cerca de 12.000 habitantes em zona de auto-salvamento (onde o Regulamento de Segurança de Grandes Barragens considera não existir tempo para uma adequada intervenção da Protecção Civil), em caso de colapso da barragem. Responsabilizo-me pelas consequências de um tsunami daí decorrente, que atingiria o centro de Amarante em menos de 13 minutos, e pelas consequentes perdas de património histórico, cultural e ambiental único, bem como de vidas humanas.”

Aproxima-se, a passos largos, o dia 18 de Abril, data na qual o Ministério do Ambiente vai pronunciar o seu parecer sobre a construção ou não deste empreendimento por parte da EDP. Confesso que estou ansiosa e algo curiosa por esse dia. Vimos o mesmo ministério saudar os jovens que saíram à rua no dia da Greve Climática, será que vai salvaguardar o país de mais um impacto ambiental irreversível?

Os argumentos para a não construção de mais uma barragem do Plano Nacional de Barragens de 2007 são muitos, sobretudo após a construção da barragem de Foz Tua e das três barragens cujas obras decorrem, no Alto Tâmega, pela Iberdrola. Será que necessitamos mesmo de tantas barragens?

Dizem os especialistas que associar a energia que as barragens produzem ao grupo das energias limpas “é um mito” e que o futuro pelo qual lutamos é aquele que declara não existir um planeta B.

As barragens têm um impacto ambiental irreversível que permanece séculos a fio, não existe forma de correcção possível — o que, por exemplo, não acontece com o impacto das energias solares e eólicas, cuja correcção é possível. Energia solar essa que representa apenas 2% da produção energética em Portugal, estando claramente desaproveitado dado o seu custo/benefício.

As barragens alteram completamente a biodiversidade e as dinâmicas sociais, económicas e culturais de uma região, travando o transporte natural de sedimentos e fazendo com que as areias transportadas para as linhas da costa nunca conheçam o seu destino. A água também se vê alterada perdendo qualidade e todos sabemos como a água é o nosso maior tesouro — e ainda por cima está em escassez no planeta.

Por sua vez, a Protecção Civil declarou a Barragem de Fridão como risco máximo para a população de Amarante, o que não me admira mesmo não sendo uma especialista na matéria, uma vez que a cidade está apenas a seis quilómetros de distância deste empreendimento. Isto para não falar no facto de a nova albufeira estar situada mesmo em cima de uma zona sísmica, que apenas há dois anos registou um sismo de 3.7 na Escala de Richter.

A natureza deixa avisos mais ou menos silenciosos ao ser humano antes das catástrofes. Caberá a todos e a cada um saber ouvi-la para que depois, quando a ameaça se concretizar, não seja tarde demais. A população de Amarante e o país merecem que saibamos ouvir o que a natureza nos tenta dizer e alertar. Com isto resta-me acrescentar: eu não assino esta petição e espero que tu também não.