Adeptos querem álcool nos estádios e tecto no preço dos bilhetes

A Associação Portuguesa de Defesa dos Adeptos e a claque Directivo Ultras XXI falaram, ainda, da utilidade de haver menos cadeiras nas bancadas.

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O parlamento está a ouvir entidades relacionadas com o futebol para tomar medidas contra a violência no desporto LUSA/MIGUEL A. LOPES

Consumo de álcool nos estádios, implementar tectos no preço dos bilhetes e retirar cadeiras das zonas das claques. São estas as principais solicitações da Associação Portuguesa de Defesa dos Adeptos (APDA) e da claque Directivo Ultras XXI, questionados nesta quarta-feira em audição parlamentar.

Martha Gens, vice-presidente da APDA, atribuiu “um taxativo ‘sim’” à venda de bebidas de baixo teor alcoólico no interior dos recintos desportivos, considerando que “não está provado que o consumo de álcool aumente a violência” e que “nos camarotes não existe essa limitação e, por isso, existem adeptos de primeira e de segunda”. Tal como já tinha feito ao PÚBLICO, a ADPA falou, ainda, das bebidas alcoólicas como factor adicional de segurança: “Podendo beber dentro do estádio, os adeptos entram mais cedo. Isto facilita as entradas, as revistas e o controlo da polícia. Além disso, o promotor desportivo tem a possibilidade de decidir o que vende e a quem vende, algo que não acontece, por exemplo, nas roulottes e cafés próximos dos recintos”. “Em jogos de alto risco, o promotor até pode decidir não vender álcool”, cedeu ainda.

Sobre a retirada das cadeiras nas zonas dos grupos organizados de adeptos, a APDA falou das práticas internacionais. “É uma medida implementada na Europa. Não vejo inconveniente nisso. Ninguém, nessas zonas, vê o futebol sentado”, diz, numa visão corroborada pelo representante da claque Directivo Ultras XXI: “As costas das cadeiras até são perigosas para os adeptos, nas alturas dos festejos e de maior emoção”.

A claque acabou a audição parlamentar apelando à restrição do preço dos bilhetes, algo que “na Alemanha já é feito”.

A claque e a APDA deixaram, ainda, a convicção de que criar o “cartão do adepto” não é uma medida necessária, por ser “uma burocracia sem utilidade prática” e que “vai tirar gente dos estádios”.