Rio diz que “pior” que familiares no Governo é PS entender ser “normal”

Polémica das relações familiares no Governo continua a ser tema da pré-campanha eleitoral.

Rui Rio voltou a comparar o Governo a uma "ceia de Natal"
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Rui Rio voltou a comparar o Governo a uma "ceia de Natal" LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou na segunda-feira que “pior” do que relações familiares dentro do Governo é o PS entender ser “normal”, considerando que esta “forma de governar o país é altamente descredibilizadora”.

“O mal é que o presidente do PS entende que isso é normal. Isso é que me parece ser o pior”, afirmou Rui Rio, quando confrontado pelos jornalistas com a resposta do também líder parlamentar do PS, Carlos César, às críticas do Bloco de Esquerda sobre o assunto.

“O mal é achar normal que o Governo, e depois tudo o que anda à volta do Governo, ande à volta, também, de laços familiares. Um primo aqui, um irmão e a mulher acolá. Mesmo o Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal”, reforçou, à entrada de uma reunião, à porta fechada, com militantes do distrito de Viana do Castelo.

Para Rui Rio, o Governo, liderado pelo socialista António Costa, “põe à frente, em muitas circunstâncias, as relações pessoais e não exactamente a competência”.

O líder parlamentar do PS confessara durante o dia ter ficado surpreendido com as críticas do BE às relações familiares dentro do Governo socialista, afirmando que os bloquistas têm “abundantes relações familiares” na sua bancada.

Em dois dias seguidos, no sábado e no domingo, PSD e BE colocaram na agenda política e mediática as relações familiares entre membros do Governo, como é o caso, por exemplo, dos ministros Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino (marido e mulher) e José Vieira da Silva e Mariana Vieira da Silva (pai e filha).

Na segunda-feira, também o ex-ministro do PSD Miguel Poiares Maduro criticou a situação na TSF, explicando as suas razões: “Um Governo não é simplesmente um conjunto de ministros; é um órgão colegial em que é suposto escrutinar as propostas e as decisões dos outros ministros, e isto cria naturalmente um conflito de interesses sempre que um pai, uma mãe, um marido, uma mulher tiverem de escrutinar e tomar posição sobre propostas ou decisões do seu cônjuge, ou pai ou filho. Isto é um problema óbvio e que existe a partir do momento em que há familiares no Governo”.

Mas também há socialistas a criticar as nomeações familiares para cargos no Governo. Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS e antigo dirigente da Juventude Socialista, aflorou o tema há dias num jantar, em Matosinhos, manifestando “preocupação” com o assunto.