Morreu João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria

O socialista teve um enfarte de miocárdio fatal na segunda-feira à noite. Tinha 43 anos. Velório realiza-se na manhã de quarta-feira na Basílica da Estrela, em Lisboa.

João Vasconcelos esteve no Governo de António Costa
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João Vasconcelos integrou o Governo de António Costa Nelson Garrido

João Vasconcelos, o ex-secretário de Estado da Indústria do Governo de António Costa, faleceu na segunda-feira à noite, na sequência de um enfarte de miocárdio. Tinha 43 anos.

O velório realiza-se esta quarta-feira, pelas 9h30, na Basílica da Estrela, em Lisboa. Segue-se uma missa de corpo presente marcada para as 10h30.

João Vasconcelos esteve à frente da “construção” em Portugal do evento Web Summit, um encontro mundial dedicado às novas tecnologias usado como uma montra para muitas startup, pequenas empresas em início de actividade com grande potencial de crescimento. Paddy Cosgrave, fundador e presidente da Web Summit, escreveu esta terça-feira de manhã no Twitter uma nota de pesar pelo óbito de Vasconcelos, manifestando-se muito triste e recordando que, enquanto ​governante, “era tão apaixonado pelas startups e por Portugal”. “Ele fez um enorme esforço para promover as startups portuguesas para um nível global. Todos vamos sentir a sua falta.” 

O Partido Socialista emitiu uma nota onde expressa “o choque e o seu mais profundo pesar pela inesperada notícia” da morte do “querido camarada” João Vasconcelos, “um dos melhores quadros” do partido, no qual “desempenhou vários cargos, tendo actualmente assento na comissão nacional, tendo sido ainda secretário de Estado da Indústria do XXI Governo Constitucional.”

Saiu do Governo em Julho de 2017, depois de ser constituído arguido pelo Ministério Público no processo que investiga o pagamento pela Galp Energia de viagens, refeições e bilhetes para diversos jogos da selecção nacional no Campeonato Europeu de Futebol de 2016. O desfecho do caso foi a suspensão provisória do processo em troca do pagamento de uma multa.

No ano passado, foi constituído arguido num inquérito que envolve uma empresa da qual foi sócio, a Go Big or Go Home, que em 2010 terá investido verbas comunitárias numa empresa detida pela mulher de João Vasconcelos, também arguida no caso.

Em Setembro de 2015, ainda antes das eleições legislativas que o levariam para o Governo, João Vasconcelos foi um dos principais organizadores da caravana Aylan Kurdi (o nome do menino sírio que se afogou na costa na Turquia, cuja fotografia se tornou um símbolo da tragédia humanitária dos refugiados), que conseguiu fazer chegar à Croácia três camiões TIR com quase 60 toneladas de ajuda humanitária enviada por cidadãos residentes em Portugal para refugiados sírios.

Nos últimos tempos “trabalhava de perto com várias startups europeias e empresas de tecnologia”, como o próprio escreveu na rede social LinkedIn, e tinha fundado o “Conselho”, “um think tank com os 50 CEO portugueses mais relevantes, que pretendia discutir as novas dinâmicas do sector industrial e o futuro da economia portuguesa”.

Era o chairman da Flash, uma empresa de trotinetas eléctricas de Lisboa e mentor da Techstars, uma startup que ajuda os apicultores na luta contra os “assassinos” das colónias de abelhas.

Entre 2011 e 2015 tinha sido director executivo da Startup Lisboa, Associação para a Inovação e Empreendedorismo de Lisboa, e responsável pelo LIDE Empreendedorismo, associação com foco na promoção da sustentabilidade e responsabilidade social nos negócios e nas empresas.

Durante os governos de José Sócrates, foi adjunto e assessor do gabinete do primeiro-ministro, com responsabilidade na área dos Assuntos Regionais e Economia, entre 2005 até 2011. Tinha sido anteriormente vice-presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), entre 1999 e 2005, e ao longo da vida administrou várias empresas familiares nos sectores do Turismo e Serviços.

No domingo, João Vasconcelos escreveu o seu último post no LinkedIn, sobre as redes sociais e a vida offline, que terminava assim: "Quanto mais tempo passamos online mais valorizamos tudo o que é offline, a natureza, as emoções, a arte, a cultura, a manufactura, tudo o que nos transmite sentimento. Bom domingo, aproveitem o digital e usem-no como ferramenta para valorizar o analógico. Agora vou passear que está um dia fabuloso.”