Clubes contra plano de reforma das competições da FIFA

Associação de Clubes Europeus manifesta-se indisponível para disputar o Mundial de clubes.

Andrea Agnelli, presidente da ECA e dirigente da Juventus
Foto
Andrea Agnelli, presidente da ECA e dirigente da Juventus Francois Walschaerts/Reuters

O organismo que representa mais de 200 clubes do futebol europeu reiterou nesta terça-feira que os seus membros não pretendem participar no Mundial de clubes em 2021, nos moldes actualmente definidos pela FIFA para a competição. No entanto, a Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla inglesa) admitiu que poderá alterar a sua posição se a FIFA concordar em reunir-se e discutir alterações ao calendário internacional.

“Não temos neste momento qualquer intenção de participar nesta competição, devido ao congestionamento do calendário”, afirmou Andrea Agnelli, presidente da ECA e dirigente da Juventus. “Apesar disso, estamos mais do que disponíveis para discutir mudanças para o futuro”, acrescentou.

Agnelli lamentou a pouca informação prestada pela FIFA sobre assuntos básicos, como os moldes de qualificação para o torneio. “A forma como o assunto foi gerido faz lembrar contas de mercearia. Neste momento, para nós, não há nada”, reforçou o presidente da ECA.

“Somos nós [os clubes] que assumimos os riscos, somos nós que investimos no longo termo, somos nós que investimos em jogadores, em infra-estruturas, somos nós que encaixamos os riscos empresariais e financeiros”, enumerou Agnelli.

O italiano, também presidente da Juventus, assumiu não saber como o clube que dirige poderia qualificar-se para a competição: “Não percebo como poderemos participar porque não há uma lista de acesso.”

O Conselho da FIFA decidiu numa reunião em Miami, no início deste mês, avançar com o projecto de um Mundial de clubes renovado, alargado a 24 equipas, a partir de 2021. O formato actual da competição contempla sete clubes e realiza-se anualmente.

Agnelli, que se queixou de que a FIFA ignorou o pedido da ECA de não tomar a decisão em Miami, não aceita o argumento de que o torneio viria ocupar o espaço no calendário normalmente reservado para a Taça das Confederações, que vai deixar de ser disputada. “Do nosso ponto de vista, substituir a Taça das Confederações pelo Mundial de clubes não faz muita diferença, porque continua a existir um problema de congestionamento de calendário que só pode ser resolvido nos próximos anos”, vincou.

O presidente da ECA também rejeitou que o organismo que representa os clubes europeus tenha proposto disputar os jogos da Liga dos Campeões ao fim-de-semana a partir de 2024, para quando está prevista a revisão do formato actual.