Custo do transporte aéreo da Cruz Vermelha diminui e pode ser financiado internacionalmente

Condições no aeroporto da Beira permitem aterragem de um avião que implica menos custo para a Cruz Vermelha. Envio de um segundo avião está em cima da mesa.

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Daniel Rocha
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O transporte da equipa de ajuda humanitária e um hospital de campanha da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) para a Beira, na zona mais atingida pelo ciclone Idai, é feito afinal através da fretagem de um Boeing 767, operado pela EuroAtlantic, que parte de Lisboa este domingo às 18h, e não por um Ilyushin-76 fretado através da TAP. O custo do transporte ficou acordado em 210 mil euros, ao contrário dos 295 mil euros originalmente estimados na sexta-feira, e permite incluir o transporte da equipa médica de 20 elementos no mesmo avião.

Pedro Monjardino, responsável de logística da CVP, em declarações ao PÚBLICO revela que o rumo das negociações se alterou quando a empresa que faz a gestão do aeroporto da Beira anunciou que poderia receber outro tipo de avião. A solução encontrada foi um Boeing 767 que “permitirá transportar 33,9 toneladas de equipamento e a tripulação da Cruz Vermelha”, indica o responsável.

Esta alteração permite à CVP poupar cerca de 80 mil euros, numa altura em que as doações entregues ao fundo da organização portuguesa ascendem a 800 mil euros, duplicando em relação aos 400 mil euros indicados na sexta-feira.

Pedro Monjardino avançou ainda que a CVP “iniciou contactos com a Federação Internacional da Cruz Vermelha” para negociar o financiamento da operação Imbondeiro.

“Iniciámos contactos com a Federação e convidaram-nos para participarmos na missão conjunta”. Assim sendo, a “CVP pode aceder a uma posição que permite a alocação de fundos da Cruz Vermelha internacional mediante o acordo assinado”, explica Monjardino.

A organização portuguesa recebeu ainda nas últimas horas o “donativo de uma instituição nacional de referência com um valor substancial”, afirma o responsável pelos bastidores da missão de ajuda a Moçambique.

Monjardino explica que, ao serem contactados por essa instituição, foi proposto à Cruz Vermelha que apresentasse duas soluções de transporte para Moçambique para reforçar a ajuda que será enviada este domingo. As opções viáveis, enuncia o responsável, são “o transporte marítimo de Lisboa para a Beira” que estaria em trânsito entre 35 a 50 dias até à Beira. A outra hipótese - e a mais eficaz - passa pelo transporte aéreo, que “teria de ser custeado por outras organizações”.

A possibilidade de enviar um segundo avião significaria o reforço da ajuda a Moçambique e permitiria fazer “a rotação das equipas” no terreno.

Fernando Nobre critica frete de aviões 

Francisco George, presidente da CVP apelou este domingo a que “os portugueses percebam e apoiem a operação Imbondeiro”, depois de nos últimos dias o valor despendido com operação de transporte ter sido alvo de alguma contestação nas redes sociais, e não só.

Sem nunca referir a Cruz Vermelha, Fernando Nobre, presidente da AMI, em declarações à RTP, mostrou-se critico do frete de aviões, falando num custo “absurdo” e defendendo que os bens a entregar à população da Beira deveriam ser adquiridos em Moçambique ou num país vizinho.

Tanto na sexta-feira como neste domingo, a Cruz Vermelha Portuguesa reiterou a defesa da sua opção, sublinhando o transporte de um hospital de campanha e de outros materiais pedidos pelas autoridades no terreno, como 500 quilos de cabos de fibra óptica. Esta tarde no aeródromo militar de Figo Maduro, em Lisboa, a ministra da Saúde, Marta Temido, expressou o apoio institucional do Governo à missão da CVP.