May diz que está com o povo pelo “Brexit” e exige ao Parlamento que decida

Primeira-ministra britânica acusa deputados de bloquearem a saída do Reino Unido da UE. O referendo foi há mais de dois anos, agora "façam uma escolha", diz-lhes. "Não adiarei o Brexit além de 30 de Junho".

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CHRIS J. RATCLIFFE

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse “chegou o momento dos deputados decidirem” e permitirem que o Reino Unido concretize o “Brexit”, que a população aprovou há mais de dois anos em referendo.

Não adiarei o ‘Brexit' além de 30 de Junho”, disse.

A primeira-ministra enviou esta quarta-feira uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pedindo aos líderes europeus uma prorrogação de três meses da saída do Reino Unido da União Europeia. A primeira-ministra tinha assegurado que pediria um adiamento prolongado se o acordo do “Brexit” não fosse aprovado até esta quarta-feira, mas terá mudado de ideias devido à forte pressão da ala eurocéptica do Partido Conservador.

À noite, numa curta declaração à porta de Downing Street, a primeira-ministra lamentou “profundamente” a rejeição no Parlamento, e por duas vezes, do acordo que negociou com Bruxelas.

Fez um ataque cerrado aos deputados. “Os deputados só querem dizer o que não querem”, acusou. Agora, disse, chegou o momento de fazerem a “escolha final”. Têm que dizer se “querem sair com um acordo”, se “querem sair sem acordo" ou se “não querem sair de todo, provocando um dano irreparável na confiança dos cidadãos e no processo democrático”. “Mas chegou o momento de fazer uma escolha”.

Mencionou a circunstância anómala de o país ter que realizar eleições europeias, depois de ter decidido sair da UE - o que acontecerá se o “Brexit” acontecer até 23 de Maio.

Disse que é contra um segundo referendo. “Não acredito num segundo referendo. Já fizemos a pergunta e já nos deram a vossa resposta”, disse Theresa May falando aos cidadãos e dizendo que está do lado deles - e não dos deputados que bloqueiam o processo. 

“Temos que avançar e é isso que faremos”, concluiu