Motorista incendiou autocarro com crianças em Milão

“Basta de mortes no mar!”, disse o condutor, que quis protestar contra os naufrágios de imigrantes no Mediterrâneo. O suspeito foi detido e não há nenhuma vítima a registar.

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Uma das crianças que estava no autocarro e carabineiros Daniel Dal Zennaro/EPA
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O estado em que ficou o autocarro Vigili del Fuoco/REUTERS

A ameaça era de gelar o sangue: “Vamos a Linate [o aeroporto mais próximo] e hoje ninguém sai daqui vivo!” Foi isto que o motorista de um autocarro escolar disse às 51 crianças que levava no autocarro escolar que conduzia nos subúrbios de Milão, ameaçando matar toda a gente, incendiando o veículo. Um dos rapazes a bordo chamou a polícia, que bloqueou a estrada, e as crianças conseguiram sair do veículo.

Ainda assim, o motorista incendiou o autocarro – tinha levado vários litros de gasolina para espalhar no interior e fazer com que as chamas consumissem rapidamente o veículo, diz o jornal Corriere della Sera. As crianças contaram que o condutor tinha ameaçado regá-las também com gasolina e deitar-lhes fogo.

“Ele gritou: ‘Parem as mortes no mar! Vou fazer um massacre!’”, disse Marco Palmieri, porta-voz da polícia milanesa, citando o motorista depois de este ter sido detido. 

A polícia identificou o motorista do autocarro como Ousseynou Sy, um italiano de origem senegalesa, de 47 anos. Tudo isto aconteceu numa estrada na zona de San Donato Milanese, diz o Corriere della Sera.

Palmieri disse que algumas crianças foram levadas para o hospital como medida de prevenção, devido a alguns hematomas e ao facto de algumas estarem em estado de choque. Ainda assim, nenhuma sofreu lesões graves.

Um professor que estava com as crianças disse à agência noticiosa Ansa que o motorista afirmou que queria chegar à pista do aeroporto de Linate, em Milão. Uma rapariga garantiu também que o condutor do autocarro culpava Matteo Salvini, ministro do Interior e vice-primeiro-ministro italiano, e Luigi Di Maio, o outro vice-primeiro-ministro, pelas mortes de imigrantes africanos no mar Mediterrâneo.

As Nações Unidas estimam que 2297 pessoas terão morrido ou desaparecido no Mediterrâneo em 2018 ao tentarem chegar à Europa.

O Governo italiano fechou os seus portos a embarcações de organizações não-governamentais que resgatam refugiados e imigrantes na costa líbia. Salvini afirma que essa medida ajuda a reduzir as mortes porque, argumenta, há menos pessoas no mar. Grupos de defesa dos direitos humanos contestam o primeiro-ministro italiano, afirmando que, agora que há menos barcos no mar, há mais pessoas a morrerem.