Mota Amaral contra-ataca: “Credibilidade política” de Rui Rio ficou “debilitada”

Histórico dirigente social-democrata quebra o silêncio sobre a saída da lista para as europeias. Diz que elogios feitos “soam a falso” e que compromisso do PSD com as regiões autónomas foi atirado borda fora.

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Mota Amaral respondeu à direcção nacional do PSD Miguel Manso

O antigo presidente da Assembleia da República, João Mota Amaral, rompeu esta terça-feira o silêncio sobre o afastamento da lista do PSD para as eleições europeias, para dizer que a “credibilidade política” de Rui Rio nos Açores ficou “debilitada”.

“O presidente do PSD [Rui Rio], quando se deslocou aos Açores, na fase de campanha para as eleições internas para a liderança, expressamente respondeu, em sessão pública, que manteria a tradição de haver um candidato dos Açores em posição elegível na lista para o Parlamento Europeu”, escreve o histórico dirigente social-democrata, num artigo de opinião publicado esta terça-feira no Diário dos Açores, para concluir: “A sua credibilidade política fica assim debilitada perante os militantes, simpatizantes e potenciais eleitores do PSD na Região Autónoma dos Açores”.

Mota Amaral foi indicado pelo PSD açoriano para a lista nacional do partido às europeias de 26 de Maio, mas acabou por retirar-se em resposta ao oitavo lugar que a direcção nacional decidiu atribuir aos Açores. Fora dos seis que, a julgar pelas sondagens que têm sido divulgadas, têm a eleição para o Parlamento Europeu garantida.

“Deixei claro desde o início que concorria para ajudar o PSD-Açores e não para um qualquer lugar de destaque na lista nacional, pondo como única condição que se tratasse de um lugar elegível, concretamente até ao quinto, sem excluir que fosse mesmo atrás do atribuído à Madeira”, escreve o histórico dirigente social-democrata no mesmo artigo.

Quando a comissão política do PSD-Açores indicou Mota Amaral para a lista nacional, Rui Rio primeiro, e o secretário-geral José Silvano, depois, elogiaram-lhe a personalidade. O político açoriano desvaloriza. “Elogios desses são dispensáveis quando, lançando pela borda fora um compromisso estrutural e histórico com a Autonomia Constitucional dos Açores e da Madeira, o PSD desiste de acolher a voz das duas regiões autónomas na sua lista de candidatos ao Parlamento Europeu”, considera, dizendo que esses elogios acabam por soar a falso, perante o “elenco final” da lista.

Desde que há em Portugal eleições para o Parlamento Europeu, Açores e Madeira estiveram sempre em lugares elegíveis na lista social-democrata. Mas este ano, numa lista paritária (três homens e três mulheres nos primeiros seis lugares) encabeçada pelo eurodeputado Paulo Rangel, apenas a madeirense Cláudia Monteiro de Aguiar, que aparece no sexto lugar, está em posição de ser eleita. Os Açores, perante o oitavo lugar atribuído acabaram por não indicar ninguém.

Com o título “Uma candidatura que afinal não foi”, o também ex-presidente do governo regional açoriano, percorre os bastidores da indicação pelo PSD-Açores – “nunca fiz qualquer diligência para ser candidato” –, admitindo que chegou a entusiasmar-se com a ideia de poder deixar a “própria marca” em Bruxelas. Mas, conta, cedo percebeu que a candidatura estava a provocar embaraço aos dirigentes nacionais do partido.

“A realidade é que o número de lugares elegíveis pelo PSD, a acreditar nas sondagens disponíveis, não vai além de seis e os interessados são mais do que muitos, tal como os compromissos pelos vistos assumidos pelos dirigentes máximos do partido”, acusa dizendo que uma “desistência voluntária” para facilitar a vida ao responsáveis nacionais do PSD nunca foi equacionada. “Sempre entendi este processo, em total sintonia com Alexandre Gaudêncio [líder regional do partido], como uma forma de garantir um lugar elegível para o PSD-Açores e uma voz social-democrata daqui procedente no Parlamento Europeu.”

Falando em “desconsideração” de Rui Rio, e considerando de “ridículo” o rumor de processos disciplinares visando Gaudêncio, Mota Amaral termina com uma certeza: “Em 26 de Maio próximo teremos a resposta do povo açoriano e será decerto inequívoca!”.