Trump e Bolsonaro celebram juntos o “crepúsculo do socialismo” na América

Os dois líderes concentraram as atenções na crise na Venezuela. Trump prometeu apoiar a entrada do Brasil na OCDE e na NATO.

Bolsonaro ofereceu a Trump uma camisola da selecção brasileira
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Bolsonaro ofereceu a Trump uma camisola da selecção brasileira CHRIS KLEPONIS / POOL / EPA

Entre trocas de elogios e promessas de cooperação, Donald Trump recebeu esta quarta-feira Jair Bolsonaro na Casa Branca para celebrar “a hora do crepúsculo do socialismo” no continente americano. A situação na Venezuela dominou as conversações no primeiro encontro entre os dois líderes.

Por breves minutos, a Sala Oval transformou-se num campo de futebol naquele momento em que as estrelas das duas equipas trocam de camisola: Trump ofereceu a Bolsonaro uma camisola da selecção norte-americana, e o homólogo retribuiu o gesto com uma camisola da “canarinha” com o número 10 e nome de Trump. Apesar de reconhecer não ser um adepto de futebol, Trump referiu o nome de Pelé.

Como é habitual nestes encontros, os dois chefes de Estado assinaram vários acordos de parcerias económicas e militares, mas mais significativamente emergiram como aliados ideologicamente alinhados. “Pensamos de forma muito parecida”, afirmou Trump na conferência de imprensa ao lado do homólogo brasileiro. Bolsonaro concordou e dobrou a parada: “Temos muita coisa em comum.”

A crise venezuelana é um tema que vem unir ainda mais os dois líderes conservadores, apoiantes de primeira hora do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se declarou Presidente interino do país. Trump agradeceu o apoio de Bolsonaro aos opositores de Nicolás Maduro, que chamou “marioneta do Governo cubano”, e anunciou a “hora do crepúsculo do socialismo” no continente.

Em cima da mesa ficaram as promessas de Trump de apoiar a entrada do Brasil na OCDE e uma sugestão inesperada de integração na NATO. “Temos um aliado especial fora da NATO e, quem sabe, dentro da NATO”, disse o Presidente norte-americano, um crítico da Aliança Atlântica. Na véspera, as comitivas dos dois países anunciaram um acordo que permite aos EUA a utilização da base militar de Alcântara, no Maranhão, para fazer testes de lançamentos espaciais – um desejo antigo de Washington.

Na sua declaração, Bolsonaro reforçou a ideia de que com a sua presidência abre-se um novo capítulo nas relações com os EUA, voltando a acusar os seus antecessores. “É tempo de superar os velhos vácuos. Hoje, o Brasil não tem um Presidente anti-americano, caso inédito nas últimas décadas”, afirmou.

Num encontro entre dois líderes conhecidos pelo apreço por teorias da conspiração, houve tempo para Bolsonaro referir uma das preferidas da direita brasileira. Para o Presidente do Brasil, o “regime ditatorial é parte de uma rede internacional, o Foro de São Paulo”. A referência incide sobre um grupo que reúne vários partidos de esquerda da América Latina, que inclui o Partido dos Trabalhadores, que se tornou numa obsessão dos apoiantes de Bolsonaro, que dizem que a organização tem como objectivo implantar regimes comunistas no continente.

Questionado sobre um potencial apoio a uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, Bolsonaro preferiu fechar o jogo, indo buscar ao baú do seu passado como militar a justificação. “Há certas questões que, se forem divulgadas, deixam de ser estratégicas”, afirmou, não revelando se o assunto chegou a ser discutido.