Torne-se perito

IndieLisboa 2019 anuncia vagabundos, exilados e Brasil a rodos

A 16.ª edição do festival de cinema vai ser inaugurado com o Beach Bum Matthew McConaughey sob a câmara de Harmony Korine, e encerra com Synonymes, Urso de Ouro em Berlim, pelo meio de um foco no novo cinema brasileiro e nos filmes novos de Jafar Panahi, Mike Leigh ou Radu Jude.

Matthew McConaughey em <i>The Beach Bum – A Vida numa Boa</i>
Foto
Matthew McConaughey em The Beach Bum – A Vida numa Boa DR

E começa a preencher-se o calendário da edição 2019 do IndieLisboa: Harmony Korine, Mike Leigh, Jafar Panahi e Nadav Lapid vêm juntar-se aos nomes já anunciados de Anna Karina, Miles Davis ou a dupla Jonathan Vinel/Caroline Poggi. O 16.º Festival Internacional de Cinema de Lisboa arranca a 2 de Maio com a antestreia nacional do novo filme de Korine, realizador de Spring Breakers e argumentista de Kids, The Beach Bum – A Vida numa Boa, com Matthew McConaughey no papel de um residente da Florida que vive a sua existência de sonho, contracenando com o rapper Snoop Dogg e Zac Efron. O encerramento, a 12 de Maio, faz-se com o Urso de Ouro de Berlim 2019, o controverso Synonymes de Nadav Lapid, sobre o exílio parisiense de um jovem israelita (o estreante Tom Mercier) que quer, literalmente, abandonar a sua identidade.

Na panorâmica secção Silvestre, exibir-se-ão os últimos filmes de Angela Schanelec, Jafar Panahi e Mike Leigh. Do britânico Leigh, que ainda há pouco foi alvo de retrospectiva no LEFFEST, ver-se-á Peterloo, o seu último e aclamadíssimo filme, estreado em Veneza e que é o seu primeiro título a não ter sido adquirido para distribuição em Portugal em muitos anos.

Por contrapartida, o Indie será também o palco da antestreia em Portugal do último filme do iraniano Jafar Panahi, que continua a filmar “subterraneamente”, apesar da sua interdição oficial: Três Rostos deverá chegar às salas logo após o festival.

Da alemã Angela Schanelec, cuja obra tem sido acompanhada regularmente no certame, exibir-se-á Ich war zuhause, aber…, o filme que lhe valeu o prémio de melhor realização em Berlim 2019. 

A mesma secção dedicará o seu foco à dupla francesa Jonathan Vinel/Caroline Poggi (cuja obra nas curtas-metragens tem sido acompanhada regularmente no Curtas Vila do Conde e que se estrearam agora na longa com Jessica Forever), e exibirá os últimos trabalhos de Bruno Dumont (a mini-série Coincoin et les z’Inhumains, sequela de O Pequeno Quinquin), Radu Jude, vencedor da competição do Indie em 2015 com Aferim! (I Do Not Care if We Go Down in History as Barbarians), e Apichatpong Weerasethakul (a curta Blue, encomendada pela Ópera Nacional de Paris).

Para além da retrospectiva que homenageia Anna Karina, musa da Nouvelle Vague, o Indie dedica ainda uma segunda retrospectiva Herói Independente ao actual cinema brasileiro, com uma série de produções recentes do país irmão espalhadas pela programação do festival (a ser divulgada na íntegra a 2 de Abril), sob o genérico Brasil em Transe. Entre os títulos já confirmados, que passaram pelos festivais de Locarno, Berlim ou Roterdão, estão Temporada, de André Novais Oliveira, Divino Amor, de Gabriel Mascaro, Querência, de Helvécio Marins Jr., A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, No Coração do Mundo, de Gabriel e Maurílio Martins ou Seus Ossos e Seus Olhos, de Caetano Gotardo. 

O IndieLisboa 2019 decorre de 2 a 12 de Maio nos cinemas Ideal e São Jorge, na Cinemateca Portuguesa e na Culturgest.