Ciclone Idai: mais de cem mortos e milhares de desalojados também no Malawi e Zimbabwe

Mais de uma centena de pessoas morreu e muitos milhares ficaram desalojados pela subida dos rios e deslizamentos de terras

Imagens da destruição em Chimanimani, no Zimbabwe
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Imagens da destruição em Chimanimani, no Zimbabwe Reuters/PHILIMON BULAWAYO

O ciclone Idai entrou pelo centro do Moçambique e continuou terra adentro a fazer estragos e mortos. No Zimbabwe, o último balanço oficial dá conta de 64 mortos, enquanto no Malawi pelo menos 56 pessoas morreram. Muitos milhares ficaram sem casa devido ao forte vento e à subida dos rios, transformados em rápidos de lama levando tudo à sua frente.

O Governo do Zimbabwe declarou a tempestade como desastre nacional e enviou militares e membros dos serviços nacionais de juventude para as zonas afectadas para ajudar no salvamento de aldeias isoladas pelas águas. A Protecção Civil está a usar helicópteros para aceder à cidade montanhosa de Chinamini, perto da fronteira com Moçambique, depois das quatro pontes que lhe dão acesso terem sido destruídas pelas inundações.

Joshua Sacco, deputado local, disse à Al Jazira que “não existe nenhuma estrada acessível” no distrito, depois de todas elas terem sido atingidas por deslizamentos de terras.

Entre os mortos no Zimbabwe estão mais de duas dezenas de mineiros que morreram afogados em dois poços de uma mina nos arredores de Harare, a capital do país. Na sexta-feira, o Governo divulgou que entre 60 e 70 homens estavam dentro da mina que ficou inundada depois do rebentamento de uma barragem devido à forte precipitação.

Também entre os mortos estão duas crianças de um colégio interno, que dormiam quando uma avalancha de pedras derrubou uma das paredes do dormitório.

No Malawi, o Departamento de Gestão de Calamidades anunciou que 56 pessoas morreram vítimas das inundações provocadas pelo ciclone, com quase 83 mil desalojados e mais de 900 mil pessoas afectadas pelas chuvas fortes. O mau tempo atingiu sobretudo a região Sul do país, onde foram criados 187 centros de alojamento espalhados por 14 distritos para albergar os desalojados.

“Só consegui salvar os meus filhos quando a minha casa ficou inundada pela água. Perdi as cabras e todos os meus utensílios de cozinha”, afirmou uma das desalojadas, Memory Kanguwo, citada pelo site Africa News.

A chuva foi particularmente dura para o distrito de Chikwawa, com muita gente isolada e campos agrícolas destruídos (cerca de 42 mil hectares de terra arável, refere a imprensa local), o que tornará a população mais vulnerável e dependente da ajuda humanitária.

“Pedimos especialmente ao Governo que nos arranje tendas. Também precisamos de utensílios de cozinha e artigos agrícolas, porque as inundações deixaram-nos em grandes dificuldades”, referiu ao mesmo site Light Chagwadala, outro dos afectados.