Governo sem registo até ao momento de vítimas portuguesas no ciclone Idai

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabwe e Malawi causou pelo menos 150 mortos e afectou mais de 1,5 milhões de pessoas naqueles três países, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A cidade da Beira, em Moçambique, foi uma das mais afectadas.

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NASA WORLDVIEW/HANDOUT/LUSA

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse este domingo que “não há até ao momento” registo de portugueses mortos ou feridos devido à passagem do ciclone Idai na Beira, Moçambique, mas admitiu a existência de estragos “em bens de portugueses”.

Em declarações à agência Lusa, Augusto Santos Silva salientou que “não há registo de cidadãos portugueses que se encontrem entre as vítimas desta tragédia”, que afectou a cidade da Beira na quinta-feira e provocou “estragos consideráveis” na capital da província de Sofala, no centro de Moçambique. Na região da Beira devem residir cerca de 2500 portugueses, de acordo com o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

“Temos informações de estragos consideráveis no nosso consulado e também registo de pessoas que se dirigem ao nosso Gabinete de Emergência Consular, dando conta também de estragos nas respectivas casas e bens”, afirmou Augusto Santos Silva, acrescentando que não há igualmente “informações sobre desaparecidos” entre a comunidade portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros assinalou que “as comunicações estão ainda muito difíceis” e que “só hoje, de madrugada, é que o primeiro voo pôde fazer-se”, porque o aeroporto da Beira, umas das maiores cidades de Moçambique, esteve fechado.

A abertura ao aeroporto permitiu colocar na Beira “uma equipa de três pessoas” da embaixada e do consulado de Portugal em Maputo para, “conjuntamente com o Cônsul-geral e os funcionários do consulado na Beira, proceder ao levantamento dos estragos” causados pelo ciclone que, “durante bastante tempo”, isolou a Beira, ainda com “estradas que têm troços intransitáveis” e com comunicações “muito difíceis”.

A equipa avançada vai também contactar os portugueses que vivem na região para apurar “as necessidades mais prementes e as perdas da comunidade portuguesa residente na Beira” e entrar em contacto com as autoridades moçambicanas “para perceber de que forma é que Portugal pode ajudar Moçambique, quer do ponto de vista da emergência, quer da reconstrução, visto que certamente haverá muitas dificuldades, como água e alimentos”, acrescentou Augusto Santos Silva.

“É muito útil que, deste primeiro levantamento, possam resultar áreas em que Portugal possa apoiar a República de Moçambique”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantando que deu indicações à embaixada de Portugal em Maputo para “participar activamente neste movimento de solidariedade que está a ser gerado em Moçambique, de forma a apoiar com bens de primeira necessidade os moçambicanos que vivem nas regiões mais assoladas nestas tempestades”.

A cidade da Beira, com meio milhão de habitantes, foi a mais afectada pelo ciclone Idai, com o balanço inicial a indicar a morte de 13 pessoas, enquanto mais de 400 feridos receberam assistência no hospital central desde a noite de quinta-feira, segundo fonte daquela unidade. O levantamento do número de vítimas está por concluir, dado que há locais de difícil acesso devido à subida do nível dos rios.

O Consulado de Portugal na Beira tem um total de 5600 cidadãos portugueses inscritos, mas a área de jurisdição consular é muito grande e abrange sete províncias — Sofala, Manica, Zambézia, Tete, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. O ciclone atingiu a Beira na quinta-feira, tendo seguido depois para oeste, em direcção ao Zimbabwe e ao Malawi, afectando mais alguns milhares de pessoas, em particular nas zonas orientais da fronteira com Moçambique.

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabwe e Malawi causou pelo menos 150 mortos, centenas de pessoas estão desaparecidas e dezenas de milhar isoladas. O ciclone Idai afectou mais de 1,5 milhões de pessoas naqueles três países, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e os governos dos três estados africanos, citados pela Agência France Presse.

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