Deutsche Bank e Commerzbank abrem a porta a possível fusão

Os dois bancos alemães confirmam que estão a decorrer conversações formais, pondo fim a vários meses de especulação sobre a eventual concentração.

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LUSA/ARMANDO BABANI

O gigante Deutsche Bank e o seu concorrente Commerzbank (detido em 15% pelo Estado alemão) confirmaram neste domingo que iniciaram as conversações formais para uma eventual fusão, pondo fim a vários meses de especulação.

As administrações do Deutsche Bank e do Commerzbank reuniram-se hoje, separadamente, para aprovar o início formal das negociações e emitiram curtas declarações sobre o tema, alertando que o desfecho ainda está em aberto.

Os dois maiores bancos da Alemanha, anunciou o Commerzbank num comunicado, “acordaram hoje o início das negociações com um desfecho aberto em relação a uma potencial fusão”.

Já o Deutsche Bank afirma que o conselho de administração decidiu “rever as opções estratégicas”, alertando que “não há certeza de que qualquer transacção ocorrerá”. "O importante para mim é seguir apenas opções que façam sentido económico, com base no progresso que fizemos em 2018”, disse o responsável da instituição, Christian Sewing, numa carta endereçada aos funcionários.

Fontes próximas do processo, citadas pelas agências de notícias internacionais, asseguram que o Deutsche Bank concordou em iniciar as conversações para a fusão depois de o governo alemão ter sinalizado que não iria colocar entraves a eventuais cortes de pessoal e de custos que se revelem necessários.

A concentração tem a oposição dos sindicatos, por recearem o corte de dez mil postos de trabalho, com o despedimento de milhares de trabalhadores.

As duas instituições financeiras têm tentado restaurar os níveis de crescimento da sua actividade anteriores à crise de 2008, sem grande sucesso. Desde 2018, a cotação do Deutsche Bank tem vindo a derrapar para níveis historicamente baixos, evidenciando debilidades financeiras. Por outro lado, o banco alemão tem estado envolvido em vários casos de corrupção na Europa e nos Estados Unidos, antes e depois da crise financeira de 2008, o que deu origem a multas milionárias. O Commerzbank também tem evidenciado problemas estruturais e dificuldade em recuperar o valor que tinha antes da crise.

A concentração tem o patrocínio do governo alemão, tal como o PÚBLICO já tinha noticiado, uma vez que a criação de um grande banco permitiria ao país ter uma instituição financeira que apoie a economia baseada nas exportações. No início do ano, o Financial Times avançava que a equipa da chanceler Angela Merkel pediu à autoridade de supervisão bancária alemã para partilhar os resultados de uma análise à possível fusão.

Esta não é a primeira vez que os dois bancos tentam uma fusão. Já em 2016 foram encetadas negociações que terminaram sem acordo, o que acabou por obrigar as duas instituições a reestruturar a sua actividade. Agora, com a economia a dar sinais de abrandamento e a decisão do Banco Central Europeu de adiar a primeira subida das taxas de juros, as duas instituições acabam por ver a sua rentabilidade ameaçada, tornando mais urgente uma eventual fusão.