Opinião

Cartas ao director

Leonor Antunes

“Se tivéssemos um regime de Direita, nunca teria aceitado o convite”. As palavras de Leonor Antunes, a artista portuguesa escolhida para representar Portugal na 58.ª Bienal de Arte de Veneza demonstrou exacerbado populismo de esquerda. Afirmações desta natureza contribuem para fomentar divisões. Afinal só os contribuintes de esquerda descontam para a cultura? A afirmação da “artista” foi feita na presença de Graça Fonseca, ministra da Cultura, que já demonstrou não estar à altura do cargo que desempenha. Contudo, afirmações do género dão protagonismo a quem as profere. Não esquecer o quanto contribuiu o veto de Sousa Lara ao Evangelho Segundo Jesus Cristo para a atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

Os fenômenos Trump e Bolsonaro 

Trump e Bolsonaro, dois candidatos à presidência que jamais imaginaram chegar lá em boa parte da campanha. Candidatos de si mesmos, como muitos outros do passado, tendo motivações e razões de interesses pessoais específicos. Mas quis setores conservadores aliados aos ultraconservadores que sua figuração se tornasse realidade. Está formado o imbróglio para os dois países. Candidatos “bombas” absolutamente despreparados, cujo perigo é imprevisível. O mais grave é que até agora nenhuma acusação com fortes evidências pega, além de racismo, xenofobia, homofobia, outras suficientes para derrubar ou “levar à lona” quaisquer outros que os antecederam. Um fenômeno não decifrável até agora, pois apesar de tudo ainda conseguem apoio entre os eleitores que os elegeram. Naturalmente que EUA e Brasil têm realidades e explicações diferentes, mas na forma e conteúdo de suas eleições os dois se assemelham.

António Negrão de Sá, Rio de Janeiro

Família, Mérito e Compadrio

Portugal não tem falta de cidadãos capazes de exercerem cargos para os quais venham a ser chamados, e cujas pastas a desempenhar careçam de experiência e capacidade de resposta onde se alimenta a expectativa da resolução dos problemas de uma sociedade em que é difícil encontrar o rumo certo, e onde o ser humano vale mais pela cunha e pelos laços familiares, e menos pelo seu mérito.

Isto não é o que acontece com o elenco governativo português onde as notícias vindas a público nos dão conhecimento sobre as nomeações de familiares para o exercício de cargos de relevo, o que passa para a opinião pública a ideia de que este é um governo com um alto grau de parentesco, o qual vai abrir precedentes nos corredores da politica, não sendo esta uma prática aceitável.

O grau de parentesco, as amizades, as cunhas e as conveniências pessoais não se podem nem devem sobrepor às exigências de um país onde os mesmos laços familiares, as relações amistosas, os subornos e os compadrios, potenciam a existência de casos de corrupção, gerando também uma enorme desigualdade entre os cidadãos, onde a muitos destes, independentemente do seu mérito, valores morais e dedicação, lhes é vedada a sua oportunidade.

Américo Lourenço, Sines