Independentistas catalães fazem manifestação em Madrid

Protesto contra julgamento dos líderes políticos que conduziram processo do referendo e declaração de independência aterra no meio da campanha eleitoral.

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Poster com rosto dos políticos catalães presos e exilados Juan Medina/REUTERS

O presidente da Generalitat da Catalunha, Quim Torras, encabeçou a manifestação independentista que se realizou este sábado em Madrid, em protesto contra o julgamento dos políticos e outros responsáveis catalães envolvidos na declaração de independência no parlamento catalão.

Sob o lema “a autodeterminação não é um delito, democracia é decidir”, a manifestação foi promovida pelas organizações realizaram o referendo de 1 de Outubro de 2017 na Catalunha sobre a independência, considerado ilegal pelo Estado espanhol, e reprimido com violência policial. No entanto, participam pessoas de outras regiões autonómicas de Espanha, como do País Basco, da Galiza e da Andaluzia.

A manifestação, no entanto, demonstra sobretudo a capacidade de organização da Assembleia Nacional Catalã e da Òmnium Cultural – as associações catalãs cujos ex-presidentes, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, estão também no banco dos réus.

Cerca de 500 autocarros foram mobilizados para levar manifestantes para Madrid, e vários comboios de alta velocidade tinham um grande número de passageiros destinados ao desfile no Paseo del Prado, diz o El País. A acompanhar a manifestação estavam cerca de 500 agentes da polícia, por receio de confrontos – grupos nacionalistas de extrema-direita ameaçaram a segurança da manifestação, criticada igualmente pela oposição de direita, que a usou como arma de propaganda eleitoral contra o presidente do Governo socialista, Pedro Sánchez.

Gritou-se “liberdade para os presos políticos” em Madrid, como tantas vezes se tem gritado em Barcelona. Familiares dos líderes independentistas presos e exilados leram um manifesto contra “a deriva política” em Espanha, relata o El País.

“Denunciamos o julgamento-farsa que está a decorrer no Supremo Tribunal. Hoje toca-nos a nós, mas amanhã pode ser com qualquer um. Fazemos um apelo a todos os democratas de Espanha”, declarou o presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, da Esquerda Republicana.

Os líderes do Partido Popular e do Cidadãos, Pablo Casado e Albert Rivera, fizeram coro a acusar o presidente do Governo socialista de ter ficado calado face ao desafio da manifestação independentista na capital espanhola.

Os dois políticos conservadores, que há pouco tempo protagonizaram uma polémica foto noutra manifestação em Madrid, mostrando-se ao lado do líder do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, viraram os seus canhões neste sábado contra Pedro Sánchez, preparando-se para as eleições antecipadas de 28 de Abril - necessárias porque a questão catalã acabou por levar à queda do Governo. “Sabem porque é que Sánchez não diz nada? Porque Torra e Puigdemont é que mandam”, declarou Rivera.