O que vai fazer o Real Madrid com Martin Odegaard?

A acreditar na imprensa espanhola, Zidane não conta com o jovem norueguês e os "merengues" querem fazer dinheiro com ele.

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Odegaard estreou-se na selecção com 15 anos e 253 dias Vegard Wivestad/Reuters
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Odegaard só fez dois jogos oficiais com a camisola do Real Madrid Juan Medina/Reuters

Aconteceu tudo demasiado cedo e demasiado depressa na vida de Martin Odegaard. Tinha 15 anos e 117 dias quando se estreou pela equipa principal do Stromsgodset, da primeira divisão norueguesa, e tinha 15 anos e 253 dias quando cumpriu a primeira internacionalização pela Noruega. Aos 16 anos e 36 dias, estava no Santiago Bernabéu, ao lado de Emílio Butragueño, a ser apresentado como o futuro do Real Madrid. Isto aconteceu a 22 de Janeiro de 2015 e tudo o que o norueguês tem para mostrar de “blanco” em quatro anos são 122 minutos partilhados por dois jogos que não foram propriamente competitivos. Estamos em 2019, Odegaard tem 20 anos, tem coleccionado empréstimos e já não é um miúdo. O que vai fazer o Real com ele? Dinheiro, provavelmente.

Não está no ADN “merengue” fazer crescer futebolistas jovens, a não ser que já sejam craques feitos (ou em casos de absoluta necessidade, como está a acontecer esta época com o jovem Vinícius). E o Real não teve, de facto, grande paciência com Martin Odegaard, contratado mais em jeito de manobra publicitária, para se poder gabar de ter batido a concorrência de Barcelona, Bayern Munique e Liverpool, que, alegadamente, também estavam interessados no jovem médio ofensivo nórdico. Os “merengues” fizeram uma autêntica operação de charme para o cativar: puseram-no a treinar ao lado do Cristiano Ronaldo na equipa principal, e Zinedine Zidane, então o treinador do Castilla, fez-lhe uma visita guiada a Valdebebas.

No final de Janeiro desse ano, o jornal Marca fazia capa com Odegaard e falava de um “prodígio” que “impressionou os craques da primeira equipa”. Em Junho desse ano, e já depois de ter cumprido 32 minutos (entrou para o lugar de Ronaldo, tornando-se no mais novo de sempre a jogar pelos “merengues”) numa vitória por 7-3 ao Getafe, a Marca falava dele como “Sonho de Verão” e das intenções do Real em tê-lo na primeira equipa.

Rafa Benítez não o quis e continuou a trabalhar com Zidane, mas não acompanhou o francês quando este foi promovido de emergência. Odegaard foi ficando de fora nas sucessivas campanhas europeias do Real. Ainda estava em Valdebebas para o 11.º título, mas viu de longe o 12.º e o 13.º, emprestado ao Heerenveen por duas vezes, sem que Zidane alguma vez pensasse nele para reforçar a sua equipa de “galácticos” liderada pela BBC (Bale, Benzema e Cristiano). Depois, pela terceira época consecutiva, Odegaard foi emprestado a um clube holandês de meio da tabela, desta vez ao Vitesse.

Treinava com os “grandes”, jogava com os “pequenos”. Fazia as pré-épocas, mas ia jogar para outro lado. Tem sido assim a vida de Odegaard no Real. Agora dá-se o caso de Zidane ter voltado ao Real para apanhar os “cacos” de uma época de fracassos e voltar para o próximo ano com uma equipa à medida das suas ambições. Prevê-se que o Real vá gastar muito no Verão (e já gastou 50 milhões em Éder Militão, do FC Porto) e a lista de compras, como sempre, é impressionante. Fala-se de Neymar, de Mbappé e de outros do mesmo calibre, mas Odegaard, que tem ganho corpo de futebolista longe de Bernabéu, está noutra lista, a das vendas. Segundo a imprensa espanhola, o Real quer fazer 150 milhões de euros em vendas de jogadores e valoriza Odegaard em 20 milhões.

Diz-se que o Ajax está interessado nele e disposto a pagar os tais 20 milhões – e o clube de Amesterdão também vai ter dinheiro para gastar no Verão depois de encaixar 86 milhões com a venda de De Jong ao Barcelona, e da provável venda de De Light por um valor semelhante. Odegaard acha um exagero. “Acho que não valho tanto. Os valores que se praticam agora no futebol estão fora de controlo. Li os rumores, mas não sei se são verdadeiros”, comentou recentemente.

Em que é que se transformou Odegaard nos últimos quatro anos? Nos campos menos mediáticos da Eredivisie, Odegaard tem-se exibido como um médio ofensivo com boa visão de jogo, rápido e, sobretudo, como dono de um pé esquerdo que tem cola no contacto com a bola, que dá para o domínio e finta em espaço curto, e que também serve para marcar golos na média distância.

Na presente temporada, como titular indiscutível do Vitesse (onde é colega do guarda-redes português Eduardo), já leva sete golos e seis assistências, e, em breve, os adeptos do Real irão ter uma oportunidade para ver um Martin Odegaard mais alto e praticamente sem acne no rosto nos dois jogos de apuramento para o Euro 2020 entre a Noruega e a Espanha. Talvez seja uma oportunidade para Zidane mudar de ideias, talvez não, mas Martin Odegaard, o prodígio esquecido pelo Real, sabe que ainda tem muito tempo.