Opinião

Um gajo que não vale nada

Este senhor eurodeputado não perdeu a oportunidade de estar calado porque tinha fazer prova de vida. Grunhiu, sem desprimor para os bísaros e os ibéricos bichos de quatro patas.

Um gajo que não vale nada é aquele cujo valor de mercado equivale a um tostão furado ou menos ainda. É uma desgraça, vale menos que o ar que se respira, se, entretanto, não surgir um empreendedor que o capture e faça um grande negócio, vendendo-o. É asfixiante a ideia de algué se apoderar do ar; e a de um gajo não valer nada arrepia… o Sérgio Conceição deve ter sentido um aperto brutal na zona pulmonar.

Um gajo que não vale nada deveria ser um fulano cujo valor tinha em atenção a sua valia e, portanto, receberia zero; em Portugal seria o equivalente, com sorte, ao rendimento mínimo de inserção.

Sabe-se que pode haver exceções, neste caso, haverá quem receba muito e não se dê qualquer tostão pelo que faz. Mais: não se sabe que existe, será uma espécie de pessoa inexistente na escala de valores de mercado. Ora o que inexiste vale ainda menos do que o que não vale nada, como é fácil de aceitar.

O facto de alguém estar montado num palanque na capital belga não significa que valha alguma coisa. Tudo depende, sendo certo que a maioria deles são ilustríssimos desconhecidos, o que não deixa de ser uma tremenda contradição, pois são, nada mais, nada menos, os representantes de todo o “povo” europeu. E por esse desempenho recebem principescamente, apesar da sua natureza de inexistentes.

Claro, é dos manuais, quando se aproximam as eleições para a tal Europa, é necessário fazer prova de vida, caso contrário, poderia um eurodeputado continuar na zona da inexistência placidamente, esperando pelo fim do mês. Assim poderá ficar cinco largos anos em representação do tal povo. Nesta parte o mercado fecha os olhos, aceita o faz-de-conta e até aconselha a que se cale para não se dar por ele. A experiência vale muito.

Nestes dias primaveris de março, talvez por isso, um eurodeputado quis sair da escuridão onde jazia há cinco anos para as luzes da ribalta e a verdade é que saiu.

No programa do partido que o levou a Bruxelas estava inscrito que o devia escrutinar o valor dos treinadores de futebol a trabalharem em Portugal.

E lá foi o senhor bater de chofre no treinador do FC Porto e o veredito não se fez esperar - não vale nada, é um grunho, um hipócrita, não tinha nada que dizer que o João Félix passou férias em sua casa.

Claro que o senhor eurodeputado fez prova de vida e mostrou serviço à nação benfiquista que não o elegeu, mas é de ter em conta no futuro, pois que estar à frente da Luz pode valer bem mais que estar no palanque de Bruxelas.

De facto um treinador de futebol tem o valor resultante do que produzir, vai de escantilhão se não tiver resultados, mesmo que se chame Vitória. Certos eurodeputados poderão continuar jazendo na sombra da instituição desde que não atrapalhem. E recebendo.

Este senhor eurodeputado não perdeu a oportunidade de estar calado porque tinha fazer prova de vida. Grunhiu, sem desprimor para os bísaros e os ibéricos bichos de quatro patas.

Portista

O autor escreve segundo novo acordo ortográfico