Reencontros com a música contemporânea em Aveiro

O 80.º aniversário de Cândido Lima e nova música destinada a jovens músicos são alguns dos eixos da programação do festival que decorre até dia 23 de Março.

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Candido Lima dr

O programa dos Reencontros de Música Contemporânea, a decorrer em Aveiro até 23 de Março, assinala nesta edição o 80.º aniversário do compositor Cândido Lima (n. 1939) e o 65.º aniversário de Beat Furrer, em conjunto com a apresentação de obras de um considerável número de compositores de diferentes gerações, desde os mais jovens aos consagrados.

“Olhar para o presente e responder à urgência de comunicar a música 
a novos públicos e de trazer a público boa música incompreensivelmente ignorada”, tem sido a missão da associação cultural Arte no Tempo, responsável pela organização do festival, com o apoio da Direcção-Geral das Artes e do Município de Aveiro.

Com periodicidade bienal, os Reencontros têm direcção artística de Diana Ferreira (crítica de música clássica do PÚBLICO) e alternam com o festival Aveiro-Síntese, constituindo momentos chave de uma temporada anual que contempla também o recém-criado Festival Itinerante de Percussão, o projecto de música de câmara ars ad hoc e acções de desenvolvimento de públicos. Pela primeira vez, a Arte no Tempo produziu também uma ópera — Tudo Nunca Sempre 
o Mesmo Diferente Nada (2014), de Tiago Cutileiro — apresentada recentemente na Guarda, em Castelo Branco, no Porto e em Aveiro.

A vasta produção de Cândido Lima encontra-se representada através de um concerto monográfico com peças para crianças e jovens, incluindo a primeira audição de Regalo II –Um Natal de Janeiro, para flauta e electrónica (sábado, às 18h); pela estreia de A Arca do Poeta, sobre poemas de Alberto Caeiro (encomenda da Arte no Tempo e do Município de Viana do Castelo); e Música para quatro percussionistas (1979), partitura escrita há 40 anos que só agora vê a sua estreia pelo Grupo de Percussão da Universidade de Aveiro, dirigido por Mário Teixeira.

A criação e publicação de repertório destinado a músicos em formação (dos 6 aos 18 anos), através da realização de encomendas a compositores portugueses e da preparação das estreias em articulação com os professores do ensino especializado da música, é outro dos eixos de acção da Arte no Tempo, com resultados que podem ser ouvidos nos concertos Nova Música para Novos Músicos I e II (esta sexta-feira, às 19h, e domingo, às 18h).

Obras encomendadas a Luís Pena, Tiago Cutileiro e Ricardo Ribeiro; a estreia de duos e solos de guitarra de compositores como António Chagas Rosa, Rita Torres, Pedro Berardinelli e Rui Dias, pelas  jovens guitarristas Matilde Freiria e Rita Miragaia (dia 23 às 19h); dois concertos com música para saxofone e electrónica com Gilberto Bernardes e Filipe Trovão (dias 15 e 22); e o Laboratório de Música Mista, projecto da Escola Superior de Música de Lisboa coordenado por Carlos Caires e Jaime Reis (dia 21, às 18h30), constituem outras propostas. No encerramento (dia 23), a Orquestra das Beiras e o Coro do Conservatório de Aveiro, sob a direcção de Dinis Sousa, farão a primeira audição mundial da já referida obra de Cândido Lima A Arca do Poeta e a estreia em Portugal de Antichesis, de Beat Furrer. A Noite Transfigurada, de Schoenberg, completa o programa.