Intransigente, centralista e divisionista: é assim que o PSD-Açores vê Rui Rio

Decisão de boicotar ou não a campanha eleitoral para as europeias é tomada na próxima semana. Para já, ficam as críticas duras à liderança nacional.

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Rio com Alexandre Gaudêncio, no congresso do PSD-Açores em Outubro passado Eduardo Costa/Lusa

O PSD-Açores vai decidir na próxima semana se boicota ou não a campanha eleitoral dos sociais-democratas para as europeias. Alexandre Gaudêncio, líder dos social-democratas açorianos, diz ao PÚBLICO que a “intransigência” da direcção nacional do partido, de deixar de fora dos lugares elegíveis Mota Amaral, o nome indicado por Ponta Delgada, tem que ter consequências.

A primeira reacção foi retirar o nome de Mota Amaral da lista, mas os Açores querem ir mais longe para mostrar o desagrado pelo tratamento que consideram ter recebido por Rui Rio. “Vamos tomar uma posição de força, perante a intransigência da direcção nacional de deixar de fora o dr. João Bosco [Mota Amaral]”, sublinha Gaudêncio que votou contra a lista apresentada por Rui Rio esta quarta-feira na comissão política e fez depois um discurso bastante crítico no conselho nacional que ratificou os nomes apresentados.

“Precisamos de um líder que trate todos os portugueses por igual. Que não promova divisionismos e que seja amigo das autonomias”, criticou o presidente do PSD-Açores, acusando Rui Rio de centralismo. O PSD, lembra Alexandre Gaudêncio, foi pioneiro ao colocar os candidatos indicados pelas duas regiões autónomas em lugares elegíveis, mas essa tradição foi quebrada por Rui Rio. “É isto que fica”, continua Gaudêncio, contestando as explicações que José Silvano, secretário-geral do PSD, apresentou para não colocar Mota Amaral entre os seis primeiros lugares. Os únicos de elegibilidade garantida.

No entender da direcção nacional um eurodeputado é suficiente para representar as duas regiões autónomas. Este ano, por haver eleições regionais na Madeira, ia o nome escolhido pelo Funchal, com os Açores a indicarem um assessor. Nas próximas eleições invertiam-se os papéis. “Nós temos toda a legitimidade de esperar ter um representante, ainda mais uma personalidade como o dr. Mota Amaral”, insiste o dirigente açoriano, dizendo que cinco anos é muito tempo. “Ninguém sabe o que vai acontecer daqui a cinco anos.”

Enquanto Mota Amaral se remeteu ao silêncio, depois de ter apelado a um volte-face que não aconteceu, Gaudêncio desvaloriza o impacto que a ausência de um candidato da região possa ter no PSD-Açores. “Temos recebido muitos apoios da população e de militantes, pela nossa atitude de força perante este centralismo”, garante, citando a divisa inscrita no brazão de armas dos Açores: “Antes morrer livres que em paz sujeitos.”

A decisão de fazer ou não campanha pelo PSD será tomada após consulta aos órgãos regionais do partido, mas, ressalva Gaudêncio, independentemente deste processo, os sociais-democratas irão sempre apelar ao voto e sublinhar a importância destas eleições europeias. “Esta questão, de não ir um candidato açoriano, não é uma birra nossa. Os Açores e Madeira são diferentes. Têm as suas especificidades e têm, por isso, que ter representação própria.”