Doadores comprometem 8,3 mil milhões de euros em ajuda à Síria

O montante arrecadado entre os chamados "amigos da Síria" para 2019 sustenta a operação humanitária e o apoio ao desenvolvimento.

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Sírios no campo de refugiados de Mohammara, no Norte do Líbano Nabil Mounzer/EPA

O montante arrecadado pela comunidade internacional para o financiamento de operações de assistência humanitária e apoio ao desenvolvimento na Síria e outros países da região que albergam milhões de refugiados atingiu este ano um novo recorde de 8,3 mil milhões de euros.

Reunidos em Bruxelas, na III Conferência para o Futuro da Síria, os países doadores comprometeram-se a avançar com 6,2 mil milhões de euros que vão sustentar a distribuição da ajuda até ao fim de 2019, e ainda mais 2,1 mil milhões de euros que vão ser aplicados em projectos que se prolongam no tempo.

Como se ouviu ao longo dos três dias de encontros na capital belga (primeiro dos “Dias de Diálogo” - nos quais participaram representantes de 300 organizações da sociedade civil, e no fim de uma ronda ministerial que contou com a presença de 79 delegações), apesar da intensidade do conflito na Síria estar agora reduzida, a situação no país mantém-se “crítica”.

Há quase 12 milhões de pessoas dependentes do apoio internacional. “A situação humanitária na Síria continua um pesadelo para milhões de pessoas. A União Europeia e os seus parceiros estão a fazer tudo o que podem, mas o acesso às populações mais necessitadas continua a ser um problema muito sério”, lamentou o comissário europeu para a Assistência Humanitária, Christos Stylianides.

A União Europeia volta este ano a liderar a tabela dos doadores, com uma contribuição total de 6,8 mil milhões de euros, provenientes tanto dos cofres comunitários (2,57 mil milhões de euros) como dos Estados-membros (4,22 mil milhões de euros).

O dinheiro, reforçaram os dirigentes europeus, é para assegurar a protecção e subsistência da população síria, e ainda para “fortalecer a resiliência e desenvolver as economias” das comunidades dos países vizinhos (sobretudo Jordânia, Líbano e Turquia) onde se encontram mais de 5,6 milhões de refugiados.

As verbas não são utilizadas na reconstrução do país, devastado por quase nove anos de guerra civil.

Como sublinhou a alta representante para a Política Externa da UE, Federica Mogherini, esse trabalho só poderá começar depois de ser encontrada uma solução política que ponha termo ao conflito. “Esse continua a ser o nosso objectivo: um processo político que seja conduzido pelos sírios, com a facilitação das Nações Unidas, e que resulte no estabelecimento de um governo não sectário e inclusivo e num país unido”, afirmou.