Crónica de jogo

Sofrimento do Benfica teve tempo extra e alguma dose de espectáculo

Triunfo por 3-0 sobre o Dínamo Zagreb valeu qualificação para os quartos-de-final. Jonas empatou a eliminatória nos 90 minutos, Ferro e Grimaldo marcaram no prolongamento.

Ferro festeja o seu golo
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Ferro festeja o seu golo LUSA/TIAGO PETINGA
Bruno Lage
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Bruno Lage LUSA/MIGUEL A. LOPES
Um momento do jogo entre o Benfica e o D. Zagreb
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Um momento do jogo entre o Benfica e o D. Zagreb LUSA/MIGUEL A. LOPES
O triunfo do Benfica sobre o D. Zagreb só surgiu após prolongamento
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O triunfo do Benfica sobre o D. Zagreb só surgiu após prolongamento LUSA/TIAGO PETINGA
Jonas marcou o primeiro golo do Benfica frente ao D. Zagreb
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Jonas marcou o primeiro golo do Benfica frente ao D. Zagreb LUSA/MIGUEL A. LOPES
Grimaldo festeja o seu golo
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Grimaldo festeja o seu golo LUSA/TIAGO PETINGA

Durante três quartos da eliminatória, o Benfica foi uma equipa desinspirada, sem ideias e sem golo. Depois, um “velho” goleador chamado Jonas surgiu em cena, nivelou as contas, e Ferro e Grimaldo fizeram o resto no prolongamento, garantindo aos “encarnados” a qualificação para os quartos-de-final da Liga Europa. Depois da derrota por 1-0 há uma semana na Croácia, a formação “encarnada” arrancou um triunfo por 3-0 frente ao Dínamo Zagreb, mas Bruno Lage teve de ir buscar boa parte da qualificação ao banco.

Mobilidade em vez de presença na área. Foi esta a estratégia que Bruno Lage montou para tentar dar a volta à eliminatória na Luz, sem aquilo que se pudesse chamar um ponta-de-lança. Meteu em campo muita gente móvel e habilidosa do meio-campo para a frente, mas faltou alguém para servir de referência. Mas esta não era a única dimensão desta estratégia. O outro objectivo de Lage era rodar e, por isso, meteu no “onze” gente com poucos minutos nas pernas, desde a promoção de mais dois miúdos (Yuri Ribeiro e Jota) ao regresso de Fejsa, que já não jogava há mês e meio, passando por mais uma oportunidade a Zivkovic, cuja importância com Lage tem sido residual.

Com o decorrer do jogo, Lage acabaria por recuar nestas intenções porque aquilo que o Benfica mostrou durante a primeira parte foi pouco para conseguir fazer cócegas à bem organizada e solidária defesa do Dínamo. Só nos últimos minutos do primeiro tempo é que se viu alguma coisa. Aos 38’, Pizzi conseguiu roubar uma bola e teve espaço para armar um remate que Livakovic defendeu com competência. Pouco depois, foi Rafa a fazer o mesmo, mas com o mesmo desfecho.

Bruno Lage reconheceu que esta equipa não ia chegar para dar a volta e injectou-lhe uma dose de experiência, promovendo as entradas de Grimaldo e Jonas para os lugares de Yuri e Zivkovic. E foi sem surpresa que o Benfica começou a ser mais perigoso, simplesmente porque já sabia quem era a sua referência. Era o trintão brasileiro que tantas vezes fez a diferença. Jorge Jesus e Rui Vitória já respiraram muitas vezes de alívio graças aos golos de Jonas, e Bruno Lage está a passar pelo mesmo.

Dani Olmo, o craque espanhol do Dínamo, ainda ensaiou um remate aos 53’, que Vlachodimos defendeu com dificuldade, mas os croatas foram-se encolhendo no jogo, cada vez mais entrincheirados na sua área, para defender a vantagem mínima que traziam de Zagreb. Bruno Lage reforçou o ataque aos 62’, com a entrada de João Félix e a saída de Jota, e os “encarnados” mantiveram o cerco à área da equipa balcânica. Esse cerco deu, finalmente, resultado aos 71’: Pizzi recebeu a bola na área, amorteceu de cabeça para Jonas disparar, e a bola só parou no fundo da baliza de Livakovic.

Depois de tanto tempo afastado da ribalta, secundarizado na hierarquia dos avançados, o brasileiro voltava a ser importante, e, depois de ter empatado a eliminatória, queria ser ele a marcar o golo do apuramento – e a equipa, diga-se, jogava para ele. Tentou duas vezes, mas a bola foi sendo parada por Livakovic e nada mudou até ao fim dos 90 minutos, e avançou-se para mais 30. O Dínamo até entrou com perigo e Vlachodimos voltou a demonstrar alguma insegurança, largando um remate de Gavranovic, mas, felizmente para o grego, apareceu Ruben Dias a cortar.

E depois deste susto, o jogo voltou a ser do Benfica, que foi mantendo o cerco. Aos 94’, Jonas voltou a tentar e Livakovic a defender para canto. Depois, a bola voou para a área, Théophile fez um corte disparatado e a bola foi parar a Ferro. De fora da área, o jovem central arrancou um remate poderoso para colocar os “encarnados” no comando da eliminatória.

Este podia bem ser o golo da noite, mas não foi. Já lá vamos. Primeiro, vamos ao falhanço da noite, que aconteceu aos 96’ – Gojak recebeu uma bola vinda da esquerda, ficou sozinho em frente à baliza e atirou ao lado. O bósnio podia ter dado outro sentido à eliminatória, mas não deu e o jogo voltou a ficar mais para o lado do Benfica, depois da expulsão de Stojanovic, que viu dois amarelos (e o vermelho), o primeiro por uma falta e o segundo por reclamar com o árbitro. Logo a seguir, veio o golo do jogo. Com tantos golos de fora da área, Grimaldo fez o mesmo aos 105’, mas o seu remate, de mais longe que os de Jonas e Ferro, foi uma espécie de bomba-chapéu que passou por cima do guarda-redes adversário.