Gaspar Varela no Lux com Ricardo Toscano e convidados-surpresa

O jovem guitarrista actua este mês em duas salas lisboetas: no Lux, já esta quinta-feira, e dia 21 no CCB, no concerto-tributo à sua bisavó Celeste Rodrigues (1923-2018).

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Gaspar Varela LUÍS CARVALHAL

Gaspar Varela, o jovem guitarrista que lançou em 2018, aos 15 anos, o seu disco de estreia, Gaspar, vai agora apresentá-lo no Lux, com convidados-surpresa (um instrumentista e outro na voz), além dos músicos que habitualmente o acompanham, André Ramos (na viola de fado) e Francisco Gaspar (viola baixo), e também Ricardo Toscano (saxofone): “Vai ser um concerto mais ou menos parecido com o que apresentei no CCB [no dia 24 de Novembro de 2018, no Pequeno Auditório]”, diz Gaspar ao PÚBLICO. “Mas vou ter o Ricardo Toscano a tocar uns temas comigo e outros temas com convidados-surpresa.”

Gaspar será a base: “Vou tocar os temas do disco e mais uns que tenho. Vou tocar, por exemplo, mais temas de Carlos Paredes com o Toscano: o Canto de embalar, os Verdes anos, a Dança palaciana. E mais temas de Lisboa, que não incluí no disco.” O cenário, diz Gaspar Varela, “é do António Martins, que no CCB fez um trabalho incrível”. Quase em simultâneo com o anúncio do concerto do Lux esteve o lançamento de mais um videoclip no YouTube, Mudar de vida, realizado por Sebastião Rodrigues, irmão de Gaspar (o anterior, Lisboetas, foi co-realizado por ele e pelo pai, Diogo Varela Silva), que usou nele, com autorização da Cinemateca, algumas cenas do filme homónimo de Paulo Rocha.

“Uma gigante” a cantar

Nascido em Lisboa, no dia 25 de Setembro de 2003, Gaspar Varela empenhou-se desde cedo em aprender a guitarra portuguesa para acompanhar a bisavó Celeste Rodrigues. “Desde sempre, desde que me lembro de a ouvir cantar, a minha avó, para mim [ele chama-lhe avó muitas vezes, em vez de bisavó] era uma gigante. Não por eu ser pequenino, na altura, mas pela maneira como ela cantava, era incrível.” Não percebia ainda as letras, foi-as percebendo aos poucos, mas era a voz (“muito bonita”) que o encantava.

Quis aprender a tocar guitarra para acompanhá-la, e isso aconteceu muito cedo, aos sete anos. “Eu sempre levei aquilo a sério, mas quando começou era uma brincadeira. O meu sonho era mesmo acompanhá-la, por isso aprendi os fados que ela cantava.” O Fado das Horas foi o primeiro. E ela, que habitualmente não o cantava, cantava-o de propósito só para Gaspar poder acompanhá-la. “E mais uns de que ela gostava, como o Fado Carriche.”

A primeira guitarra foi ele mesmo que a comprou. “Com o meu dinheiro e como a ajuda da minha avó Rita, filha da minha bisavó Celeste. Comprei-a a uns vizinhos meus, que estavam a vender, tinha eu 8 anos. Era a guitarra mais pequena que eu tinha. Tinha graça porque quem a fez foi um construtor do Porto, mas quem lhe deu as peças foi o Óscar Cardoso [célebre construtor de instrumentos e “guitarreiro” com oficina em Odivelas, distrito de Lisboa].” Mas ainda houve uma guitarra, anterior, essa sim quase um brinquedo, que os pais lhe ofereceram quando fez 6 anos. Serviu de iniciação.

E a aplicação levou-o longe: “As Variações em Lá menor, do Artur Paredes, que para mim são uma das guitarradas mais difíceis, aprendi-as uns meses antes de gravar. Mas a maior parte dos temas que estão no disco são das primeiras guitarradas que aprendi.”

Tributo a Celeste, no CCB

Agora, já com o disco lançado, Gaspar está a juntar novos temas ao seu repertório. “Estou a aprender, com o meu mestre Paulo Parreira, temas muito antigos e que quase ninguém toca ou conhece. Não vou tocá-los neste concerto, mas vou tocá-los no futuro, porque são muito bonitos, é como se fosse as primeiras guitarradas a aparecer.”

Depois do concerto do Lux, Gaspar tem já outros espectáculos marcados fora do país, para este ano e para 2020. Isso em nome próprio. Antes, vai participar no concerto colectivo de homenagem à sua bisavó, Tributo a Celeste Rodrigues (1923-2018), marcado para o próximo dia 21 de Março no Grande Auditório do CCB, às 21h.

Além dele, na guitarra portuguesa, participam os músicos Pedro de Castro (guitarra portuguesa), André Ramos (viola de fado), Francisco Gaspar (viola baixo); e os fadistas Ana Sofia Varela, Camané, Duarte, Fábia Rebordão, Helder Moutinho, Jorge Fernando, Katia Guerreiro, Mísia, Pedro Moutinho, Ricardo Ribeiro, Sara Correia e Teresinha Landeiro.

A encenação é de Diogo Varela Silva, neto de Celeste e pai de Gaspar, estando as luzes também a cargo de António Martins (o mesmo que assegurou as luzes de Gaspar no CCB e agora no Lux). O espectáculo é uma co-produção Centro Cultural de Belém e Museu do Fado/EGEAC.