PPM aceita integrar a Coligação Chega mas recusa ter André Ventura entre os candidatos

Ventura queria ser o cabeça de lista da coligação PPM-PCDC. O Chega ainda não está legalizado, por isso seria só o nome da coligação.

André Ventura em Janeiro, na entrega das assinaturas do Chega ao Tribunal Constitucional
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André Ventura em Janeiro, na entrega das assinaturas do Chega ao Tribunal Constitucional LUSA/João Relvas

André Ventura não deverá figurar nas listas ao Parlamento Europeu pela Coligação Chega, depois de o Partido Popular Monárquico (PPM) ter rejeitado nesta quarta-feira, em reunião da comissão nacional, o nome do líder do movimento Chega, cujo processo de institucionalização como partido político está em apreciação pelo Tribunal Constitucional.

Fonte próxima do processo garantiu ao PÚBLICO que a coligação entre o PPM e o Partido Cidadania e Democracia Cristã (que conta também elementos dos movimentos Chega e Democracia 21, que também tenta legalizar-se como partido) não está em risco, mas o nome de André Ventura, como cabeça de lista ou mero candidato, foi rejeitado pelos monárquicos.

Nesta quarta-feira tinha sido anunciado aos jornalistas que a coligação iria avançar, independentemente da legalização do Chega no TC. O Chega chegaria já às urnas como mera designação da coligação entre PPM e PCDC. Também já era dado como certo que André Ventura seria cabeça de lista.  A apresentação pública da Coligação Chega, em Lisboa, esteve mesmo marcada para esta quinta-feira, mas a sessão foi entretanto cancelada, sem marcação de nova data. A convocatória prometia a apresentação dos nomes candidatos.

À tarde, em comunicado, a vice-presidente do PPM, Aline Hall de Beuvink, afirmou que a coligação não foi discutida até à comissão nacional desta quarta-feira e que os valores do PPM “não se coadunam” com os princípios do Chega”. Disse ainda não acreditar que a coligação “valorize os ideais monárquicos” e fomente a “participação” dos cidadãos. O PÚBLICO tentou ouvir o líder do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira.

Este é mais um percalço para André Ventura. O TC detectou que algumas das assinaturas entregues pelo Chega pertencem a menores de idade e agentes policiais, aos quais está vedada a participação nestes processos.