O refugiado que conseguiu nacionalidade para jogar na Austrália

Hakeem Al-Araibi jogou pelo Bahrain, mas acabou detido em 2018 pela Interpol.

Hakeem Al-Araibi
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Hakeem Al-Araibi EPA/DAVID CROSLING

Teve de passar num teste de cidadania para voltar a sentir-se “seguro”. Hakeem Al-Araibi conseguiu esta terça-feira obter nacionalidade australiana para continuar a jogar futebol no Pascoe Vale, em Melbourne. O defesa, que já foi internacional pelo Bahrein, foi uma das mais de 200 pessoas oriundas de 44 países a receber a cidadania australiana, numa cerimónia marcada pela presença do primeiro-ministro, Scott Morrison.

Nas últimas semanas, o jogador admitiu que mal dormia, tal era a ansiedade para conhecer o resultado do teste de cidadania. Sentia, contudo, que conhecia “todas as leis australianas”. Hakeem passou o teste com nota máxima, segundo o amigo e ex-futebolista internacional Craig Foster, que liderou a campanha de libertação do jogador.

“Finalmente, nenhum país poderá mais seguir-me porque sou australiano e estou 100% seguro aqui”, anunciou Hakeem Al-Araibi. Concentrado em voltar aos relvados, o jogador, que actua na segunda divisão do futebol australiano, sonha jogar pela selecção do país, mas admitiu que “só o tempo dirá”.

Membro activo da oposição ao Governo do Bahrein, Hakeem foi acusado em 2011 de ter vandalizado uma esquadra da polícia durante a Primavera Árabe. Três anos depois, foi-lhe concedido asilo político na Austrália, tendo ficado com um visto de residência temporário, passando para o estatuto de refugiado em 2017.

Mais tarde, em Novembro de 2018, depois de ter casado, acabou por ser detido pela Interpol, pelas mesmas acusações de vandalismo, no aeroporto de Banguecoque, onde ia passar a lua-de-mel. A 11 de Dezembro de 2018, Hakeem deu entrada na prisão, em regime preventivo, e lá esteve 76 dias, o que causou o desespero da mulher do jogador, que contou a história ao jornal britânico The Guardian em Janeiro.

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Como o Bahrein acusava Hakeem Al-Airibi de estar ilegalmente na Tailândia, o jogador foi ouvido em tribunal para prestar explicações, correndo o risco de ser extraditado para o país de origem. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros australiano juntou-se à defesa de Hakeem. A acusação caiu e o jogador foi libertado para regressar à Austrália.