Sucessora de Merkel critica visão europeia de Macron

Annegret Kramp-Karrenbauer publicou um artigo em que responde directamente ao manifesto do Presidente francês, contestando o seu "centralismo europeu".

Kramp-Karrenbauer discorda de vários pontos defendidos por Macron
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Kramp-Karrenbauer discorda de vários pontos defendidos por Macron CLEMENS BILAN / EPA

A líder da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, na linha da frente para suceder a Angela Merkel como candidata a chanceler, criticou algumas das propostas do Presidente francês, Emmanuel Macron, para reformar a União Europeia (UE).

A dirigente alemã mostrou estar de acordo com Macron quanto à necessidade de fortalecer a UE, mas propôs um caminho diferente para alcançar esse objectivo. Num artigo publicado na semana passada, o Presidente francês propôs a criação de novas instituições e de instrumentos como um salário mínimo europeu ou a mutualização das dívidas.

As divergências manifestadas por AKK, sigla pela qual é conhecida, foram enunciadas abertamente no texto publicado na edição de domingo do Die Welt. “O centralismo europeu, o estatismo europeu, a mutualização das dívidas, a europeização dos sistemas sociais, e o salário mínimo, seriam a abordagem errada”, escreveu a líder conservadora.

AKK propôs ainda a saída do Parlamento Europeu de Estrasburgo e quer que a UE ocupe um lugar no Conselho de Segurança da ONU – duas medidas que merecem a oposição de França.

Assim que o texto de Macron foi publicado em vários meios de comunicação europeus, ficou a aguardar-se uma resposta dos parceiros europeus, especialmente de Berlim. A tarefa coube não à chanceler, nem a qualquer membro do Governo, mas a Kramp-Karrenbauer, que se consolida cada vez mais como protagonista de primeiro plano da política alemã.

As ideias de AKK aproximam-se das de Macron em temas como a imigração e as alterações climáticas. A líder dos conservadores alemães sublinha a “necessidade de garantir a segurança das fronteiras externas” da União e antevê uma nova actuação do Frontex, a agência de controlo fronteiriço da UE, como uma “força policial fronteiriça operacional” para apoiar as polícias nacionais.

Tal como o Presidente francês, também Kramp-Karrenbauer considera que a Europa tem “uma clara responsabilidade” em lutar contra as alterações climáticas e defende um pacto europeu “negociado em conjunto entre as empresas, trabalhadores e a sociedade em geral”.

A líder conservadora enfrenta uma forte oposição, sobretudo à direita, tanto dos conservadores da Baviera, o partido irmão da CDU, como dos extremistas anti-imigração da Alternativa para a Alemanha (AfD). A CDU ficou sob fogo especialmente desde que Merkel autorizou a entrada de refugiados sírios durante o pico da crise migratória europeia, no Verão de 2015 – só nesse ano a Alemanha recebeu mais de um milhão de refugiados.

No artigo em que expõe a sua visão europeia, AKK sublinha o papel dos governos nacionais que não deve ser secundário face a Bruxelas. “O trabalho das instituições europeias não podem reivindicar qualquer superioridade moral sobre o esforço colaborativo dos governos nacionais”, escreveu a líder da CDU, ensaiando uma aproximação ao eleitorado atraído pelas ideias eurocépticas defendidas pela AfD.