Crónica de jogo

FC Porto manteve-se ligado à corrente, apesar de falha de potência inicial

Campeões nacionais derrotaram o Feirense e chegaram à liderança da I Liga, apesar de terem começado a partida praticamente a perder. Benfica fica sob pressão para recuperar o primeiro lugar.

Jogadores do FC Porto festejam após o primeiro golo.
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Jogadores do FC Porto festejam após o primeiro golo. LUSA/JOSÉ COELHO

O jogo entre o Feirense e o FC Porto ainda não tinha começado e já uma das torres de iluminação do Estádio Marcolino de Castro se desligava. E foi preciso esperar alguns minutos para a corrente regressar. Ora, a exibição do FC Porto, neste domingo, também foi um pouco assim. Primeiro foi abaixo, com um autogolo logo nos primeiros minutos da partida, mas pouco depois tudo voltou à normalidade, com dois golos que consumaram a reviravolta no marcador e garantiram o triunfo por 2-1.

O Feirense era o adversário teoricamente ideal para um FC Porto que vinha de uma derrota no campeonato, frente ao Benfica, que lhe tinha custado a liderança na I Liga, e de uma eliminatória suada e com meia-hora adicional de futebol contra a AS Roma, a contar para a Liga dos Campeões. O último classificado da campeonato português, que nunca tinha ganho aos portistas na prova, permitiria, em teoria, um jogo sem percalços aos “dragões”, face a diferença de qualidade de ambas as equipas.

Só que todo este raciocínio pareceu ruir quando, apenas ao quarto minuto de jogo, um contra-ataque veloz do Feirense resultou num cruzamento bem medido de Edson Farias que Felipe, pressionado por João Silva, desviou para dentro da baliza de Casillas.

O autogolo e a desvantagem obrigaram a equipa “azul-e-branca”, exactamente os mesmos 11 jogadores que defrontaram a AS Roma, a aplicarem-se ainda mais. E, a partir desse momento, só deu FC Porto. Com Danilo e Herrera a controlarem o meio-campo, os homens de Sérgio Conceição foram cercando o adversário e em dois lances de bola parada, consumaram a reviravolta no marcador.

Primeiro foi Danilo, que se antecipou de cabeça à defesa zonal do Feirense num canto marcado do lado esquerdo do ataque portista, para empatar. Pouco depois foi Pepe, a aproveitar um ressalto de bola na sequência de um outro canto, desta vez do lado direito, e a colocar o FC Porto na frente.

O Feirense nunca mais foi capaz de construir um lance como aquele que lhe deu o primeiro golo e a equipa de Sérgio Conceição foi controlando o encontro sem grandes sobressaltos – excepção feita a mais uma falha eléctrica da maldita torre de iluminação.

A segunda parte foi, por tudo isto, desinteressante, já que, de um lado estava uma equipa que não precisava de mais, do outro estava uma equipa que não conseguia mais. As ocasiões de golo foram escassas e só nos últimos minutos o jogo voltou a ganhar alguma intensidade. Isto porque o FC Porto começou a sentir nas pernas o esforço da jornada europeia, apesar das substituições promovidas por Sérgio Conceição, e o Feirense apostou tudo, colocando em campo o experiente Edinho.

Foram cinco minutos de risco e em que Casillas teve, pelo menos dois momentos de aflição – primeiro com um desentendimento na defesa portista que quase permitiu o remate vitorioso de um adversário, depois com um remate à meia volta de Briseño a rasar o poste da sua baliza. Mas o resultado estava feito e a pressão colocada sobre o Benfica.